<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-30609127</id><updated>2011-09-03T19:27:17.524-07:00</updated><title type='text'>Dançarilho</title><subtitle type='html'>Poesias, músicas, crônicas, danças, idéias...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://moacastilhopoesias.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30609127/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacastilhopoesias.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Moacyr</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_14VuCSCjRLs/SezwaYtVJ8I/AAAAAAAAABw/lAnoz41dG4A/S220/Digitalizar0003.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>8</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30609127.post-3908775681636360987</id><published>2007-10-01T18:24:00.001-07:00</published><updated>2007-10-01T18:24:37.065-07:00</updated><title type='text'>Veja meu Slide Show!</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;embed src="http://widget-da.slide.com/widgets/slideticker.swf" type="application/x-shockwave-flash" quality="high" scale="noscale" salign="l" wmode="transparent" flashvars="cy=bb&amp;amp;il=1&amp;amp;channel=576460752319212250&amp;amp;site=widget-da.slide.com" style="width:400px;height:320px" name="flashticker" align="middle"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;div style="width:400px;text-align:left;"&gt;&lt;a href="http://www.slide.com/pivot?cy=bb&amp;amp;ad=0&amp;amp;id=576460752319212250&amp;amp;map=1" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://widget-da.slide.com/p1/576460752319212250/bb_t016_v000_a000_f00/images/xslide1.gif" border="0" ismap="ismap" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://www.slide.com/pivot?cy=bb&amp;amp;ad=0&amp;amp;id=576460752319212250&amp;amp;map=2" target="_blank"&gt;&lt;img src="http://widget-da.slide.com/p2/576460752319212250/bb_t016_v000_a000_f00/images/xslide2.gif" border="0" ismap="ismap" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30609127-3908775681636360987?l=moacastilhopoesias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacastilhopoesias.blogspot.com/feeds/3908775681636360987/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30609127&amp;postID=3908775681636360987' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30609127/posts/default/3908775681636360987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30609127/posts/default/3908775681636360987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacastilhopoesias.blogspot.com/2007/10/veja-meu-slide-show.html' title='Veja meu Slide Show!'/><author><name>Moacyr</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_14VuCSCjRLs/SezwaYtVJ8I/AAAAAAAAABw/lAnoz41dG4A/S220/Digitalizar0003.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30609127.post-2324929597247306737</id><published>2007-06-17T07:12:00.000-07:00</published><updated>2007-06-17T07:13:46.260-07:00</updated><title type='text'>Crônica - Estrangeiro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           &lt;span style="color:#ccffff;"&gt; Ah, meu Rio de Janeiro... Depois de tantas viagens retorno a minha cidade natal, mas se minha difícil sina é ser um estrangeiro contínuo em qualquer lugar que caminho, então melhor sê-lo por aqui, onde nasci, cresci e me perdi, pois serei, não sendo, enquanto formos todos, não indo! Aqui onde o mar perfuma a existência e meu corpo se enrosca em ondas perenes, bailarinas de flutuante elegância. Cidade maravilhosa, minha musa imortal, amante mendiga de corpos morenos sedentos de luz, prazer genial e principal lazer de tantos irmãos do aqui e agora, dos que foram e que virão, pois aqui harmonizam-se tônicos, a vida, o sol e o mar. Faz calma no olhar, há nuvens esparsas no céu e um arco-íris que não dá, não dá pra acreditar. A tarde cai, o dia passa, minha cachaça é esta cidade que não sai de mim, não sai.&lt;br /&gt;Oh, brisa, brisa repentina, brisa que brilha cristalina, no olhar que descansa, entre muitas andanças e tantas ofeganças, me leva, eu que criança estou, repleto em teu frescor, de mares e terras outras, todas ostras, pois pérolas de sonhos carregam, no sono, onde eu sou. Seja assim, seja assado, seja profano, seja sagrado, seja eu, seja você, sejamos nós unidos pela benção do nosso Cristo Redentor. &lt;br /&gt;Vamos, meu irmão carioca, sorria, eu te amo, curta a vida, não reclame, fure a onda, voe longe, eu te canto em qualquer canto. Pule o muro, troque o disco, desfrute este balanço. Celebre, seja leve, dance a vida, seja a ginga do crioulo muito doido do meu samba. Como? Ora, vá à luta, com doçura, toque o sonho com o coração. Pinte o sete, faça um verso, componha uma canção. Ame, seja feliz, mesmo que seja, ainda mesmo, por um triz.&lt;br /&gt;Peço aos deuses que te olhem, meu Rio de Janeiro, e iluminem o teu caminho, tão fadado ao desvio. Peço aos anjos que me guiem quando, chegada a hora mais imprecisa, perco o passo em desatino. Peço aos homens que se amem e que cresçam como amigos, pois na hora mais antiga da triste despedida, este é o tesouro que se leva desta vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30609127-2324929597247306737?l=moacastilhopoesias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacastilhopoesias.blogspot.com/feeds/2324929597247306737/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30609127&amp;postID=2324929597247306737' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30609127/posts/default/2324929597247306737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30609127/posts/default/2324929597247306737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacastilhopoesias.blogspot.com/2007/06/crnica-estrangeiro.html' title='Crônica - Estrangeiro'/><author><name>Moacyr</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_14VuCSCjRLs/SezwaYtVJ8I/AAAAAAAAABw/lAnoz41dG4A/S220/Digitalizar0003.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30609127.post-5187607101901716242</id><published>2007-06-17T07:03:00.000-07:00</published><updated>2007-06-17T07:04:47.548-07:00</updated><title type='text'>Contos do Rio - Lembranças</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#999900;"&gt;&lt;br /&gt;O arco é majestoso, na rampa sobem milhares de pessoas, um hino ecoa, o carro passa, a lembrança fica, a infância estica e a cabeça gira na direção perdida da imagem rica que ficou: o estádio de futebol lotado, final de campeonato, bandeiras desfraldadas, braços erguidos, gestos coreografados e eu lá, menino, cantarolando com ardor o refrão que me vem agora na ponta da língua quando paro no sinal, ou será que engarrafou? Que calor! A buzina me desperta, fico alerta, suspiro fundo, mas não muito que a fumaça já é muita e não para de aumentar, que droga! Toda esta poluição logo agora, meu Deus, onde vamos parar?       &lt;br /&gt;Tudo é verso, é certo, inclusive o reverso: a perda do campeonato, a gozação dos colegas, a inevitável ofensa ao adversário com palavrões rimados, ritmados pela derrota amarga, ora, que importa! O importante é que algo fique na memória, mãe da história que um dia eu vou contar na esquina de outra vida que outras vidas, enfim, vão perpetuar. Não, não é minha culpa, se o hino do meu time na boca da torcida abre todas as comportas e o sentido adormecido, de repente, faz sentido, trazendo uma enxurrada de emoções, formando novas imagens, compondo antigas seleções.&lt;br /&gt;Quem diria, com apenas 12 anos e já torcia como um fanático, rato de Maracanã, conhecedor de todos os atalhos, tantas vezes geraldino, outras tantas, com meu pai, rei da arquibancada, no meio da torcida alucinada. Comia hot-dog, bebia mate gelado e sentia na boca o gostinho da vitória, a vitória que era simplesmente estar ali, afora a eventual e suprema alegria de ver o meu adorado time ser campeão e poder desfrutar o prazer de zoar os amigos derrotados e contar na escola a aventura inesquecível de ter visto de perto aquele incrível gol de placa, me esmerando nos detalhes para tentar impressionar a menina mais bonita da sala. &lt;br /&gt;É impossível esquecer se você não se perder na robotização de um trabalho estafante, na rotina diária que embota a imaginação e no requinte da automatização de modernos aparelhinhos complicados, pois a memória emocional não cabe na programação de um computador de dados, apertando teclas variadas, nem no controle remoto, comandando a telinha colorida no horário mais nobre.&lt;br /&gt;E lá vou eu, moleque: soltando pipa com cerol na praia, jogando bolinha de gude na praça e futebol de botão com meu irmão, brincando de pique-esconde na escola e correndo do cachorro do vizinho como um centroavante em direção a meta adversária, driblando fantasmas, dando passes imaginários, fazendo gols fantásticos, trocando e tocando as bolas, muitas bolas, todas as bolas que eu tive: de meia, de plástico, de couro, de sabão. São as recordações que ficaram e me fazem ter a certeza de que serei sempre uma eterna criança, um aprendiz na vida, abismado com a grandeza da lembrança de existir.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30609127-5187607101901716242?l=moacastilhopoesias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacastilhopoesias.blogspot.com/feeds/5187607101901716242/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30609127&amp;postID=5187607101901716242' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30609127/posts/default/5187607101901716242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30609127/posts/default/5187607101901716242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacastilhopoesias.blogspot.com/2007/06/contos-do-rio-lembranas.html' title='Contos do Rio - Lembranças'/><author><name>Moacyr</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_14VuCSCjRLs/SezwaYtVJ8I/AAAAAAAAABw/lAnoz41dG4A/S220/Digitalizar0003.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30609127.post-7124270353347306481</id><published>2007-06-17T07:00:00.000-07:00</published><updated>2007-06-17T07:01:42.999-07:00</updated><title type='text'>Currículo Artístico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc66;"&gt;1980: participa do Grupo de Capoeira Senzala/RJ; 1982: inicia estudos de balé clássico com Renée Simon e Helfany Peçanha e dança moderna com Emanuel Brasil, em Niterói; 1985: ingressa na Escola de Danças Maria Olenewa – RJ e dança o balé “Quebra-Nozes” no Maracanã/RJ; 1986: dança na Ópera “O Guarani” de Carlos Gomes, com coreografia de Sílvio Dufrayer; 1987: ingressa na Cia. Balé do Terceiro Mundo, dirigida por Ciro Barcelos e faz temporada no Teatro Benjamin Constant/RJ e tournée por todo o Brasil com os balés “Canibais Eróticos” e “Rebento”, participando ainda do Carlton Dance Festival; 1988: abertura do programa “Fantástico” da TV Globo, videoclip com Egberto Gismonti na TV Globo e temporada com o espetáculo musical “Dzi Croquetes” no Teatro Tereza Raquel, com direção de Lennie Dale e Wagner Ribeiro; 1989: assistente de coreografia no musical “Meu Refrão Olé Olá” no Palladiun de São Paulo com direção de Abelardo Figueiredo; 1990: gravação do filme “Pure Juice” direção de Stefano Rola e coreografia de Carlota Portela, solista nos balés clássicos “Dom Quixote” com a Academia Helfany Peçanha e “A Bela Adormecida” com a Academia Simone Falcão em Niterói; 1991: tournée pela Espanha com a Comédia Musical de Juanito Navarro e temporada no Teatro El Calderon de Madrid com a Comédia Musical de Fernando Esteso, professor de Dança Moderna e Alongamento na Faculdade Autônoma de Madrid; participa do Musical “Madrid, Madrid” no Teatro Musical Nuevo Apolo com direção de José Tamaio e coreografia de Ricardo Ferrante; musical infantil “A Bela Adormecida”, direção de Jorge Azevedo, no Teatro da UFF em Niterói; 1994: professor de expressão corporal e alongamento na Academia Free Dance em Niterói; 1995: bailarino do Especial “Não Fuja da Raia” da TV Globo com coreografia de Olenka Raia; 1996: corpo de baile do programa “Não Fuja da Raia” na TV Globo; 1999: 1º lugar no Festival de Poesias da Famath e 3º lugar no Festival de Poesias do Sesc; 2000: publica o livro de poesias “Dançarilho” pela editora Muiraquitã; 2001/2003: participação em diversos saraus de poesia no Rio de Janeiro e em Niterói; 2004; diretor do Espaço Cultural Tribo Urbana em Niterói; 2005: performance com a dança giratória no projeto “Interculturalidades” na Universidade Federal Fluminense de Niterói; 2006: performance com a dança giratória no evento “Arte Jovem Brasileira” no Espaço Convés, no Campo de São Bento e na I Jornada Holística do Espaço Cultural Tribo Urbana; 2007: performance com a dança giratória no evento “Simulacro”, em Niterói.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30609127-7124270353347306481?l=moacastilhopoesias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacastilhopoesias.blogspot.com/feeds/7124270353347306481/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30609127&amp;postID=7124270353347306481' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30609127/posts/default/7124270353347306481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30609127/posts/default/7124270353347306481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacastilhopoesias.blogspot.com/2007/06/1980-participa-do-grupo-de-capoeira.html' title='Currículo Artístico'/><author><name>Moacyr</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_14VuCSCjRLs/SezwaYtVJ8I/AAAAAAAAABw/lAnoz41dG4A/S220/Digitalizar0003.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30609127.post-828171400350790023</id><published>2007-06-16T07:14:00.000-07:00</published><updated>2007-06-16T07:19:26.931-07:00</updated><title type='text'>Pureza</title><content type='html'>O sol que aconteceu a noite absorveu,&lt;br /&gt;mas tua luz é eterna&lt;br /&gt;e resplandesce na pureza do teu coração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vejo fim nisto tudo,&lt;br /&gt;que seja eterno enquanto puro.&lt;br /&gt;Tudo mais eu desconjuro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30609127-828171400350790023?l=moacastilhopoesias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacastilhopoesias.blogspot.com/feeds/828171400350790023/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30609127&amp;postID=828171400350790023' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30609127/posts/default/828171400350790023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30609127/posts/default/828171400350790023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacastilhopoesias.blogspot.com/2007/06/pureza.html' title='Pureza'/><author><name>Moacyr</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_14VuCSCjRLs/SezwaYtVJ8I/AAAAAAAAABw/lAnoz41dG4A/S220/Digitalizar0003.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30609127.post-115205833019194926</id><published>2006-07-04T17:08:00.000-07:00</published><updated>2006-07-04T17:15:45.240-07:00</updated><title type='text'>Cores &amp; Imagens</title><content type='html'>CORES                         E                           IMAGENS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                VIAGENS DA ALMA NO ÂMAGO DAS ARTES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          UM OLHAR                               UMA LUZ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                    UM TOQUE DE SENSIBILIDADE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                    TOCANDO EM NOSSAS MENTES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                      BEIJANDO NOSSAS FACES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; NAS TARDES                                                 NAS NOITES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                NO AMANHECER DE OUTRAS HORAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                     QUE PINTAM AO PASSAR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                    QUE PASSAM A ENCANTAR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;               TODOS AQUELES QUE CONSEGUEM VER&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A BELEZA FLORESCENDO EM NOVAS CORES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                     EM OUTRAS IMAGENS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             QUE SE HARMONIZAM NAS TELAS CRIADAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   PELO ARTISTA QUE AMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                         QUE GERA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                       QUE SE ENTREGA&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30609127-115205833019194926?l=moacastilhopoesias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacastilhopoesias.blogspot.com/feeds/115205833019194926/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30609127&amp;postID=115205833019194926' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30609127/posts/default/115205833019194926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30609127/posts/default/115205833019194926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacastilhopoesias.blogspot.com/2006/07/cores-imagens.html' title='Cores &amp; Imagens'/><author><name>Moacyr</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_14VuCSCjRLs/SezwaYtVJ8I/AAAAAAAAABw/lAnoz41dG4A/S220/Digitalizar0003.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30609127.post-115205810918668865</id><published>2006-07-04T17:06:00.000-07:00</published><updated>2006-07-04T17:29:10.233-07:00</updated><title type='text'>Separação</title><content type='html'>Eis-me novamente só&lt;br /&gt;somente eu e o mundo todo&lt;br /&gt;comigo, sem sabê-lo&lt;br /&gt;porém atado, unido&lt;br /&gt;na inconsistência de um suspiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis-me novamente perdido&lt;br /&gt;diluído no tempo escorrido&lt;br /&gt;sem poupar-me, sem cansaço&lt;br /&gt;porém doído,&lt;br /&gt;com o coração mais uma vez partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis-me novamente livre&lt;br /&gt;desobstruído&lt;br /&gt;com a mente límpida, sem poder-me,&lt;br /&gt;mas com todos os sonhos do mundo, &lt;br /&gt;pronto para um outro início.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30609127-115205810918668865?l=moacastilhopoesias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacastilhopoesias.blogspot.com/feeds/115205810918668865/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30609127&amp;postID=115205810918668865' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30609127/posts/default/115205810918668865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30609127/posts/default/115205810918668865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacastilhopoesias.blogspot.com/2006/07/separao.html' title='Separação'/><author><name>Moacyr</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_14VuCSCjRLs/SezwaYtVJ8I/AAAAAAAAABw/lAnoz41dG4A/S220/Digitalizar0003.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30609127.post-115196021098754572</id><published>2006-07-03T13:30:00.000-07:00</published><updated>2007-06-17T07:38:14.720-07:00</updated><title type='text'>Poesias do livro "Dançarilho"</title><content type='html'>Dedicatória&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o meu melhor amigo, tão antigo&lt;br /&gt;quanto possa alcançar minha lembrança&lt;br /&gt;de uma adolescência já perdida&lt;br /&gt;que nos foi demais de rica. Tão presente&lt;br /&gt;quanto possa expressar meu carinho&lt;br /&gt;a meio caminho de comum amadurecimento&lt;br /&gt;de fruta exposta ao tempo incansável,&lt;br /&gt;implacável monumento. Tão constante&lt;br /&gt;quanto o mar que, ora tranqüilo, ora raivoso,&lt;br /&gt;não se cansa de inundar, potente,&lt;br /&gt;minh’alma sempre carente. Tão eterno&lt;br /&gt;quanto possa durar minha admiração&lt;br /&gt;por tudo que é, que ser é seu poder,&lt;br /&gt;faz, mesmo quando o ato desata,&lt;br /&gt;e representa, ao longo desta estrada:&lt;br /&gt;sinal luminoso e asfalto,&lt;br /&gt;acostamento, abismo e madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Mestre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Busco, não minto, a tua admiração,&lt;br /&gt;pretensão de quem te admira,&lt;br /&gt;viajando dentro de um coração&lt;br /&gt;que expande quando te mira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desejo, não nego, o reconhecimento&lt;br /&gt;pela minha obra de cobra&lt;br /&gt;rastejante pelo conhecimento&lt;br /&gt;que sobra e rola na tua obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardo, paciente, o minuto que passa&lt;br /&gt;ciente de que o poderoso tempo&lt;br /&gt;é um velho amigo e comparsa&lt;br /&gt;que unirá na luz nosso pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço, desde já, a tua atenção,&lt;br /&gt;por mínima que seja será&lt;br /&gt;sempre com grande gratidão&lt;br /&gt;que recordarei teu generoso olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prefácio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dançando no vácuo do mundo,&lt;br /&gt;centrado por falta de assunto,&lt;br /&gt;é no rebuliço das sombras movediças&lt;br /&gt;onde, reflexivo, respiro e me inspiro&lt;br /&gt;sob o olhar protetor dos anéis de Saturno.&lt;br /&gt;Por isto me exponho, de preferência, à luz soturna,&lt;br /&gt;desafiando fantasmas (que são tantos)&lt;br /&gt;em busca de virtudes (que são raras),&lt;br /&gt;agindo muitas vezes como o mendigo&lt;br /&gt;que expõe suas feridas e mazelas&lt;br /&gt;para obter alguns trocados&lt;br /&gt;ou como a puta que vende o seu vício&lt;br /&gt;para preencher a solidão e o prazer&lt;br /&gt;dos senhores da moral e do pudor.&lt;br /&gt;A verdade é que me sinto intranqüilo&lt;br /&gt;ante esta excessiva exposição à luz da escrita.&lt;br /&gt;Gostaria então, nestas linhas, por sedução&lt;br /&gt;de conquistar a sua cumplicidade&lt;br /&gt;antes do pavor de apresentar-me,&lt;br /&gt;a mim, ou a um outro,&lt;br /&gt;apelidado pelos amigos de andarilho,&lt;br /&gt;transformado pelo prazer em dançarino,&lt;br /&gt;inventado e moldado por um poeta&lt;br /&gt;que talvez tenha mesmo existido&lt;br /&gt;ou, quem sabe, tenha sido apenas sonhado&lt;br /&gt;pela imensa noite que se quer estrelada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caos ordenado da loucura racional&lt;br /&gt;somos todos alucinadamente normais&lt;br /&gt;vagando algemados aos vícios profundos&lt;br /&gt;erramos no mundo sem nunca encontrar&lt;br /&gt;o caminho solar das virtudes florais&lt;br /&gt;perdidos que estamos no verbo formal&lt;br /&gt;que foi no início e será no infinito&lt;br /&gt;um tortuoso e magistral labirinto&lt;br /&gt;de versos diversos, frutos do universo&lt;br /&gt;das oníricas sementes selvagens da mente&lt;br /&gt;que, avidamente, a terra absorve&lt;br /&gt;e o homem, reino de idéias, explode&lt;br /&gt;na caótica dança que esculpe a linguagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revolta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maldito esteja, que seja&lt;br /&gt;este inferno de merda, minha terra ferida&lt;br /&gt;vulcão que acumula e ejacula&lt;br /&gt;dinheiro podre sobre a cidade partida,&lt;br /&gt;corroída pela miséria indecente&lt;br /&gt;da desgraça que arregaça&lt;br /&gt;a cabeça deste povo, pau oco&lt;br /&gt;sem troco, a pedir esmolas&lt;br /&gt;numa hora que não cola, só esfola&lt;br /&gt;e agora? e agora?&lt;br /&gt;Foda-se, deixem-me em paz&lt;br /&gt;qu’eu não sou capaz&lt;br /&gt;de tragar tanta mesquinharia.&lt;br /&gt;Senhor, dê-lhes a outra face,&lt;br /&gt;fresca como uma alface,&lt;br /&gt;que se lambuzem os beiços&lt;br /&gt;em beijos tesos de desejo&lt;br /&gt;e cuspam o catarro azedo&lt;br /&gt;do meu peito no teu leito&lt;br /&gt;sem defeito, um grande peido&lt;br /&gt;é o que respiro num suspiro&lt;br /&gt;quando rondo o teu beco&lt;br /&gt;a separar o que está misto,&lt;br /&gt;isto! meu prazer é catar lixo,&lt;br /&gt;porco escrito, mal descrito,&lt;br /&gt;lazer de um poeta fudido,&lt;br /&gt;fundido na imundície&lt;br /&gt;da fumaça no céu, da sujeira no mar,&lt;br /&gt;aturdido, grunhindo ao luar:&lt;br /&gt;Foda-se! que me importa&lt;br /&gt;a horta desta horda&lt;br /&gt;de corruptos escondidos&lt;br /&gt;sob a barba de políticos&lt;br /&gt;amamentados por indecentes&lt;br /&gt;burocratas impotentes&lt;br /&gt;sai pururuca, sai de mim!&lt;br /&gt;Vai de costas a sonegar,&lt;br /&gt;a especular antes do fim&lt;br /&gt;do dia do último juízo&lt;br /&gt;apocalíptico final&lt;br /&gt;qu’eu não verei em paz&lt;br /&gt;porque eu tô fora,&lt;br /&gt;tô fudido mas tô fora&lt;br /&gt;desta amarga arca estatal&lt;br /&gt;que não afunda, não nada,&lt;br /&gt;apenas bóia, na onda da história&lt;br /&gt;de um país analfabeto, mas esperto,&lt;br /&gt;muito, muito, muito esperto,&lt;br /&gt;e pra quem não vê&lt;br /&gt;e não aprendeu no abc,&lt;br /&gt;o cú deste Brasil canalha&lt;br /&gt;fica na baía da Guanabara&lt;br /&gt;e nós - pobre de nós -&lt;br /&gt;nos deliciamos inconscientes&lt;br /&gt;nadando na própria merda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Turbilhão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clara, clareia, avança turbilhão&lt;br /&gt;tateio corpos no escuro, busco a mão de um irmão.&lt;br /&gt;Negra estrela no céu do meu vulcão,&lt;br /&gt;escrevo versos na areia, penso sempre em contramão.&lt;br /&gt;O que dito não foi dito, o que me vem também se vai,&lt;br /&gt;eu me canso a toda hora, eu me calo pra escutar&lt;br /&gt;a voz do tempo quando passa passeando sem passar.&lt;br /&gt;Todo dia é dia de ficar e d’ir embora,&lt;br /&gt;a barca cruza a baía, meu pensamento é um mar,&lt;br /&gt;vejo como ele se agita como ondas sem parar.&lt;br /&gt;Danço a dança das marés, deixo o vento me guiar.&lt;br /&gt;Solto os nós, libero a libélula,&lt;br /&gt;pinto suas asas, deixo-a voar,&lt;br /&gt;pro céu todos vamos de carona quando a festa terminar.&lt;br /&gt;Eu não vou passar a vida sem sorrir e sem gozar&lt;br /&gt;preciso me amar, preciso me amar,&lt;br /&gt;antes de mais nada eu preciso me amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fuga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho estado perdido entre danças&lt;br /&gt;indeciso entre viver ou sonhar&lt;br /&gt;as vezes temo pela minha segurança&lt;br /&gt;as vezes temo não gozar&lt;br /&gt;a vida viva a mim se apresenta&lt;br /&gt;e eu, burro! tento decifrá-la&lt;br /&gt;como que me enganando&lt;br /&gt;que será possível&lt;br /&gt;escapar de senti-la,&lt;br /&gt;que será possível&lt;br /&gt;a cada dia desmenti-la&lt;br /&gt;como se eu não soubesse&lt;br /&gt;que não há escapatória&lt;br /&gt;que a história é incisiva&lt;br /&gt;e que a minha covardia&lt;br /&gt;um dia, ai de mim,&lt;br /&gt;terá que ser vencida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Porca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veneno,&lt;br /&gt;como é doce o teu tormento&lt;br /&gt;e te ver chorar é como um êxtase&lt;br /&gt;para o meu instrumento&lt;br /&gt;que te acena&lt;br /&gt;nova mente&lt;br /&gt;tu te inventas&lt;br /&gt;e eu te moldo&lt;br /&gt;ao mesmo tempo&lt;br /&gt;com a total fúria&lt;br /&gt;do meu excremento.&lt;br /&gt;Veneno,&lt;br /&gt;em cada grito ecoa&lt;br /&gt;uma dor suprema,&lt;br /&gt;em cada dança surge&lt;br /&gt;um turvo movimento&lt;br /&gt;assassino&lt;br /&gt;tu enforcaste a morte,&lt;br /&gt;tu engoliste o tempo&lt;br /&gt;e cuspiste mais uma vez&lt;br /&gt;a tua glória imensa&lt;br /&gt;sobre a porca inveja&lt;br /&gt;que corrói minhas entranhas&lt;br /&gt;como ácido escaldante&lt;br /&gt;ela, justo ela,&lt;br /&gt;fonte inesgotável&lt;br /&gt;deste manancial sangrento&lt;br /&gt;de puro veneno!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impotência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um buraco, no espaço&lt;br /&gt;e dentro deste buraco:&lt;br /&gt;nada! Nem um som,&lt;br /&gt;nem mesmo um átomo&lt;br /&gt;que inicie algum estrago.&lt;br /&gt;Nada! Nem a mínima esperança&lt;br /&gt;ou remota possibilidade&lt;br /&gt;de alguma fecundidade.&lt;br /&gt;No espaço, um buraco&lt;br /&gt;negro tudo, obscuro,&lt;br /&gt;completamente escuro!&lt;br /&gt;Não mais, nem menos&lt;br /&gt;nem pouco, não muito&lt;br /&gt;simplesmente nulo!&lt;br /&gt;Lugar comum, nenhum&lt;br /&gt;perfeito equilíbrio possível&lt;br /&gt;para o meu desequilíbrio.&lt;br /&gt;Apenas nada, o fundo&lt;br /&gt;buraco do meu mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tristeza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo que ela chegue, ela me invade,&lt;br /&gt;úmida, se faz notar pelos olhos.&lt;br /&gt;Não sei de onde vem&lt;br /&gt;quase nunca sei o porquê&lt;br /&gt;mas ela está sempre aí,&lt;br /&gt;quando vou e quando regresso&lt;br /&gt;vestindo tons escuros, nunca vibrante&lt;br /&gt;mas sempre feminina,&lt;br /&gt;minha menina, tristeza,&lt;br /&gt;te aceito&lt;br /&gt;porque faz parte da minha beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ímpeto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mima a rima, poesia&lt;br /&gt;abre o verso, ventania&lt;br /&gt;em direção ao espaço sonhado&lt;br /&gt;nunca dantes navegado,&lt;br /&gt;ímpeto fatal,&lt;br /&gt;aventura, ficção, magia&lt;br /&gt;febre ocidental&lt;br /&gt;perder-se e achar um outro&lt;br /&gt;que pensa estar achando&lt;br /&gt;em um outro a si mesmo,&lt;br /&gt;que loucura, esta cultura&lt;br /&gt;deslumbrada com a fama&lt;br /&gt;dominada pela mídia&lt;br /&gt;alienada pela moda,&lt;br /&gt;afiada espora&lt;br /&gt;do consumo obrigatório,&lt;br /&gt;compra, vende, explora&lt;br /&gt;o trabalho displicente&lt;br /&gt;de uma gente sem presente&lt;br /&gt;negro, índio, cigano,&lt;br /&gt;te amo, alma e avesso&lt;br /&gt;do macaco escravo branco&lt;br /&gt;trancado no escritório&lt;br /&gt;ou na fila de um banco&lt;br /&gt;abre a porta burguesia!&lt;br /&gt;há um mundo em cada esquina&lt;br /&gt;um infinito em cada dia&lt;br /&gt;uma morte em cada vida&lt;br /&gt;viva a simples alegria&lt;br /&gt;de uma vida criativa&lt;br /&gt;o poder da simpatia,&lt;br /&gt;rompendo muralhas,&lt;br /&gt;está estampado&lt;br /&gt;onde um gesto espontâneo&lt;br /&gt;ilumina as fachadas,&lt;br /&gt;que fachada, o teu sorriso,&lt;br /&gt;estrelado céu de maio,&lt;br /&gt;não resisto, desmaio,&lt;br /&gt;quando ergues o teu véu&lt;br /&gt;e esparramas puro mel&lt;br /&gt;no tonel de um coração&lt;br /&gt;apaixonado, meu irmão,&lt;br /&gt;que enfado, este descaso&lt;br /&gt;pelo atraso do meu passo&lt;br /&gt;se quem passa não me escapa,&lt;br /&gt;não te capo nem me calo&lt;br /&gt;emburaco neste trato&lt;br /&gt;e, enfim, disparo:&lt;br /&gt;abre a rima, ventania&lt;br /&gt;mima o verso, poesia&lt;br /&gt;que esta viagem é um barato!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Projeto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observo, obcecado, o vôo alto&lt;br /&gt;da idéia sobre o vasto planalto,&lt;br /&gt;nascida da eclosão de um desejo&lt;br /&gt;que, sem medo, explodiu o teto,&lt;br /&gt;tomou forma e se tornou projeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espreito, consciente, o primeiro ato&lt;br /&gt;desta sinfonia de fatos&lt;br /&gt;orquestrada pela forte vontade&lt;br /&gt;que, com garra, fará deste projeto&lt;br /&gt;uma nova e rara realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convocarei, então, meu anjo arquiteto,&lt;br /&gt;rico na sua presteza e bondade,&lt;br /&gt;expulsaremos juntos pesados pesadelos,&lt;br /&gt;removeremos o preconceito dos mais velhos&lt;br /&gt;e, sonho a sonho, ergueremos um castelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convidarei, por fim, minha doce namorada,&lt;br /&gt;bela na sua entrega apaixonada,&lt;br /&gt;teceremos com carinho nosso ninho&lt;br /&gt;e, verso a verso, caminharemos&lt;br /&gt;frutificando novos universos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Metamorfose&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a lagarta larga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;atrás de si&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo o que já era&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma bela borboleta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se revela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;buscando novas eras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Equilibrista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravesso vales e rios&lt;br /&gt;montado em cavalos alados, bravios&lt;br /&gt;que me dão carona quando aceno com um sorriso.&lt;br /&gt;Cruzo o céu estrelado fazendo artes e amizades,&lt;br /&gt;a lua cheia é a minha guia,&lt;br /&gt;instiga meu peito, povoa minha cabeça&lt;br /&gt;com verbos floridos e gestos noctívagos.&lt;br /&gt;Meu ser todo é uma metamorfose&lt;br /&gt;que não cessa nunca:&lt;br /&gt;sou amigo do bandido,&lt;br /&gt;bandido sem amigos;&lt;br /&gt;sou poeta dançarino,&lt;br /&gt;funcionário equilibrista.&lt;br /&gt;Entre o zen e a conquista&lt;br /&gt;mantenho-me por sobre o muro&lt;br /&gt;jogando flores para ambos os lados&lt;br /&gt;brincando de viver, sem medo de perder,&lt;br /&gt;vivendo sem saber, nem o como, nem o porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Dançarino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, de que adianta jogarem pedras no rio&lt;br /&gt;se ele segue firme o seu caminho?&lt;br /&gt;De que adianta gritarem ao rio: “Cuidado! Devagar!”&lt;br /&gt;quando ele vislumbra o mar a sua frente&lt;br /&gt;e ele próprio se sente mar?&lt;br /&gt;Como pode os que correm à margem&lt;br /&gt;gritarem e aconselharem ao rio&lt;br /&gt;se não navegam no seu desvario?&lt;br /&gt;Ora, de que adianta ter os pés firmes no chão&lt;br /&gt;se o chão está sujo e enlameado?&lt;br /&gt;Melhor mesmo não seria voar?&lt;br /&gt;Ou quem sabe apenas dançar?&lt;br /&gt;Eu jamais acreditaria em um dançarino&lt;br /&gt;que tivesse os pés firmes no chão&lt;br /&gt;ele me pareceria muito pesado&lt;br /&gt;(todos estes me parecem muito pesados)&lt;br /&gt;e, afinal, como conseguiria ele saltar?&lt;br /&gt;Portanto, de nada adianta ofender o etéreo dançarino&lt;br /&gt;pois isto lhe dá forças para saltar&lt;br /&gt;e apenas o faz, em pleno salto, chorar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dançar a Vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me venham com príncipes, reis ou rainhas&lt;br /&gt;a monarquia é um conto de fadas para criancinhas&lt;br /&gt;e um novo homem velho se lança inteiro&lt;br /&gt;desde um terceiro mundo primeiro.&lt;br /&gt;Nietzsche o descreveu, com letras dançantes,&lt;br /&gt;Nijinsky o dançou, com gestos pensantes&lt;br /&gt;e, como eles, muitos enlouqueceram sucumbidos&lt;br /&gt;a custa de trilhar este caminho&lt;br /&gt;que ele percorre com alegria e determinação&lt;br /&gt;transformando, sem pedir perdão,&lt;br /&gt;palácios com cisnes dourados&lt;br /&gt;em comunidades com borboletas anárquicas,&lt;br /&gt;neuróticas Giseles mumificadas&lt;br /&gt;em radiantes Isadoras apaixonadas,&lt;br /&gt;o vasto passado num presente menos trágico&lt;br /&gt;e o futuro... quem sabe? Talvez&lt;br /&gt;“Dançar a Vida”: viver da Dança, Música e Poesia&lt;br /&gt;buscando na arte ampliar a consciência,&lt;br /&gt;transformando o “sexo, drogas e rock and roll”&lt;br /&gt;em Amor, Trabalho e Sabedoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Danço, assim como respiro&lt;br /&gt;tanto quanto como amo&lt;br /&gt;tanto quanto como existo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigo fielmente uma escola&lt;br /&gt;que é a da dança&lt;br /&gt;assim como a vida me ensina,&lt;br /&gt;que é a da vida&lt;br /&gt;assim como vive a poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aula&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver o outro&lt;br /&gt;ouro torto&lt;br /&gt;e lapidar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter sentido&lt;br /&gt;mestre amigo&lt;br /&gt;e ampliar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser seguro&lt;br /&gt;mesmo escuro&lt;br /&gt;e clarear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Outro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do sono que faz minha cabeça&lt;br /&gt;na noite grisalha do conhecer-me sem fim&lt;br /&gt;desperto, enfim, desvencilhando-me&lt;br /&gt;do reflexo estéril no espelho convexo&lt;br /&gt;que se abre à paisagem virginal&lt;br /&gt;do primeiro abraço matinal&lt;br /&gt;indo além do claustro narciso&lt;br /&gt;do ver somente a mim&lt;br /&gt;para renascer no enigma do outro&lt;br /&gt;que se faz mais que tesouro,&lt;br /&gt;se faz a fonte inesgotável&lt;br /&gt;de um renovador conhecimento&lt;br /&gt;e se faz a ponte por onde,&lt;br /&gt;verso e mistério, desfilam seus encantos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trilogia Amorosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;Ah, quanta sensualidade transparece&lt;br /&gt;neste pedaço de menina, neste pedaço de mulher,&lt;br /&gt;quanta ternura há nesta sensualidade&lt;br /&gt;e como ela me faz delirar...&lt;br /&gt;Flor altiva de pétalas cativas,&lt;br /&gt;olhos de lince que disparam faíscas,&lt;br /&gt;doçura constante no ar.&lt;br /&gt;Teu cheiro é o de uma fêmea no cio!&lt;br /&gt;Teu ímpeto o de um mar bravio!&lt;br /&gt;Estrela de todas as noites perdidas,&lt;br /&gt;oceano de tantas lágrimas sofridas,&lt;br /&gt;sacerdotisa da deusa Iemanjá.&lt;br /&gt;Te quero cada vez mais!&lt;br /&gt;Te amo como o poeta ao luar!&lt;br /&gt;Madona, amazona, odalisca,&lt;br /&gt;eterna namorada por tantas vidas&lt;br /&gt;nesta aventura sublime que é amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tua língua descarada&lt;br /&gt;com sabor de sacanagem&lt;br /&gt;em minha boca escancarada&lt;br /&gt;umedecida por teus lábios!&lt;br /&gt;Teu corpo enlouquecido&lt;br /&gt;pelo calor do meu abraço&lt;br /&gt;amarrado, convulsivo,&lt;br /&gt;sussurrado e descontínuo&lt;br /&gt;agora, é tudo, eu quero e não seguro&lt;br /&gt;a vontade do teu sexo que me invade&lt;br /&gt;rio escuro, sangue tinto,&lt;br /&gt;libidinoso em tal estrago&lt;br /&gt;que não sei mais quanto valho,&lt;br /&gt;meu orgulho é meu caralho,&lt;br /&gt;meu caráter é feito palha,&lt;br /&gt;meu amor... um espantalho,&lt;br /&gt;falho e enrolado,&lt;br /&gt;que me enrosca como a cobra&lt;br /&gt;que me cobra, cascavel,&lt;br /&gt;sentimentos cor de um céu,&lt;br /&gt;vasto, tão vasto&lt;br /&gt;que não sei mais o que sou,&lt;br /&gt;que não sou mais que fusão:&lt;br /&gt;odores, sabores,&lt;br /&gt;tato, imagens, audição,&lt;br /&gt;um animal é o que sou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando te vejo, oh minha menina,&lt;br /&gt;me invade um raio de alegria,&lt;br /&gt;meu coração dispara em correria&lt;br /&gt;e o dia mais triste e cinzento&lt;br /&gt;se transforma no mais reluzente,&lt;br /&gt;espelho d’alma límpida e inocente.&lt;br /&gt;Mansamente, porém, a noite se aproxima&lt;br /&gt;e eis que baixa uma neblina&lt;br /&gt;densa como o mais turvo pensamento&lt;br /&gt;impregnado por lúbrico tormento:&lt;br /&gt;tantas são as faces do amor,&lt;br /&gt;tão variado o seu sabor&lt;br /&gt;que de saboreá-lo não me canso,&lt;br /&gt;desejando por todos ser amado&lt;br /&gt;e distribuindo-o, abusado,&lt;br /&gt;como um anjo desvairado.&lt;br /&gt;Ai meus ais, quantos ais&lt;br /&gt;este apetite me traz&lt;br /&gt;pois absurdos preconceitos&lt;br /&gt;recheados por direitos e defeitos&lt;br /&gt;dificultam, infernais,&lt;br /&gt;o que deveria ser aqui, primordial,&lt;br /&gt;ordem primeira e natural.&lt;br /&gt;É... penso cá com meu violão,&lt;br /&gt;talvez não seja para este mundo,&lt;br /&gt;talvez seja para um outro mais além.&lt;br /&gt;É pena, mas é também muito bom&lt;br /&gt;lutar por este prazer, amém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teus e Meus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teus olhos claros são vasos cheios de lágrimas&lt;br /&gt;tão cheios que não fixam a ação&lt;br /&gt;apenas transbordam com emoção fraterna&lt;br /&gt;gotas de poesias doces e singelas&lt;br /&gt;que pingam, pingam e transformam&lt;br /&gt;o duro asfalto num plácido lago&lt;br /&gt;que, profundo como o passado,&lt;br /&gt;reflete as cores e as coisas da amplidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus olhos escuros te miram com atenção&lt;br /&gt;tão vidrados que não captam mais nada&lt;br /&gt;apenas buscam decifrar teus mistérios,&lt;br /&gt;penetrar na fragrância da sensibilidade&lt;br /&gt;florida que transpassa por cada poro&lt;br /&gt;da tua suave pele de menina,&lt;br /&gt;mergulhados na paz do teu lago&lt;br /&gt;que umedece meu céu e fecunda meu chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ato em Si&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ato em si&lt;br /&gt;resplandece&lt;br /&gt;quando acontece&lt;br /&gt;do prazer estar ali&lt;br /&gt;intrinsecamente&lt;br /&gt;impregnado&lt;br /&gt;no exato momento&lt;br /&gt;da vontade imaculada&lt;br /&gt;de realizá-lo.&lt;br /&gt;Mas, se por acaso,&lt;br /&gt;você o reconhece&lt;br /&gt;algo em mim&lt;br /&gt;se engrandece&lt;br /&gt;pois tua atenção&lt;br /&gt;me renova&lt;br /&gt;e mantém acesa&lt;br /&gt;a chama da criação&lt;br /&gt;redentora&lt;br /&gt;que aflora&lt;br /&gt;quando você me olha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tesão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se na dança me desfaço&lt;br /&gt;faço um outro enamorado&lt;br /&gt;e simplesmente entretido&lt;br /&gt;desfaleço em cada passo&lt;br /&gt;no compasso da canção,&lt;br /&gt;sem pudor, ao acaso&lt;br /&gt;todo, todo coração&lt;br /&gt;salto, embalo, rodopio&lt;br /&gt;sou Shiva, Cristo, Dionísio&lt;br /&gt;chego mesmo a ser Ninguém&lt;br /&gt;apenas energia sem nexo&lt;br /&gt;todo sexo, namorando o universo&lt;br /&gt;um verso dançando&lt;br /&gt;escrito por um corpo&lt;br /&gt;inflamado&lt;br /&gt;repleto de tesão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paixão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paixão quando rola&lt;br /&gt;é uma bola de tesão&lt;br /&gt;muito viva e criativa&lt;br /&gt;que infla imperativa&lt;br /&gt;até que um dia estoura,&lt;br /&gt;louca, estrondosa,&lt;br /&gt;sem nenhuma piedade&lt;br /&gt;e a gente se esfola&lt;br /&gt;de dentro pra fora,&lt;br /&gt;preto, branco ou rosa&lt;br /&gt;e chora a dolorosa&lt;br /&gt;ausência da vontade&lt;br /&gt;primitiva de existir&lt;br /&gt;dissipada carinho por carinho&lt;br /&gt;no tempo exato da flor&lt;br /&gt;que, despetalada, sucumbe à dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noite Obscura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite obscura em que me perdi&lt;br /&gt;você não estava, você não tinha vindo,&lt;br /&gt;você não viria mais.&lt;br /&gt;Na noite obscura eu me paralisei&lt;br /&gt;na lembrança do que fomos nós:&lt;br /&gt;dia claro e límpida manhã&lt;br /&gt;de abraços, sorrisos e amor.&lt;br /&gt;A noite obscura me atormenta&lt;br /&gt;e não a quero mais,&lt;br /&gt;por isto invoco versos, danças e canções&lt;br /&gt;- tudo o que sou -&lt;br /&gt;na esperança de que uma nova aurora&lt;br /&gt;me desperte do pesadelo&lt;br /&gt;da noite obscura em que estou&lt;br /&gt;e para que de mãos dadas&lt;br /&gt;possamos de novo atravessar&lt;br /&gt;o portal que leva ao paraíso&lt;br /&gt;do dia claro e da límpida manhã&lt;br /&gt;de abraços, sorrisos e amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantada I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te olho de longe, assim meio de banda&lt;br /&gt;(encabulado ainda). Me falta coragem&lt;br /&gt;para chegar mais perto, olhar bem de frente,&lt;br /&gt;e assim, de repente,&lt;br /&gt;dizer como és linda,&lt;br /&gt;capaz de me deixar&lt;br /&gt;como que enfeitiçado,&lt;br /&gt;dominado pela louca vontade de te conhecer&lt;br /&gt;e saber como é o teu viver,&lt;br /&gt;as coisas que mais gosta&lt;br /&gt;pra poder te oferecer&lt;br /&gt;na esperança de que um dia&lt;br /&gt;você venha a se interessar&lt;br /&gt;por um tipo romântico, intrépido amante,&lt;br /&gt;que faria de tudo,&lt;br /&gt;na medida do impossível,&lt;br /&gt;para te fazer sorrir&lt;br /&gt;imensamente, para sempre,&lt;br /&gt;te deixar feliz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantada II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te quero em silêncio&lt;br /&gt;te desejo em meu íntimo&lt;br /&gt;como o gato que arma o bote&lt;br /&gt;sem, no entanto, ousar o ato.&lt;br /&gt;Apenas o olhar indomável é capaz de traição&lt;br /&gt;dando passagem ao que sinto&lt;br /&gt;no profundo coração,&lt;br /&gt;revelando aos mais sensíveis&lt;br /&gt;minha secreta paixão.&lt;br /&gt;Paixão! Esta palavra atrai ao amante&lt;br /&gt;e é com facilidade que ele a coloca;&lt;br /&gt;que seja apenas desejo,&lt;br /&gt;sexo, amizade ou afeição,&lt;br /&gt;que seja mesmo tudo muito: torrencial paixão!&lt;br /&gt;Não há medo pois a loucura&lt;br /&gt;é amiga da minha razão.&lt;br /&gt;Um beijo eu adoraria, uma noite me encantaria,&lt;br /&gt;ao teu lado meu ser todo brilharia&lt;br /&gt;tigreza, princesa, rainha&lt;br /&gt;quer sair comigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riqueza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És rica, como és rica&lt;br /&gt;com sua branca voz divina&lt;br /&gt;voz de vida amanhecida&lt;br /&gt;puro som, limpo lamento,&lt;br /&gt;amansador dos meus tormentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encanto mágico o teu canto&lt;br /&gt;de anjo pleno de talento&lt;br /&gt;serpenteando desde o ventre,&lt;br /&gt;insinuante em cada instante,&lt;br /&gt;por entre meus sonhos inocentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És rica, como és rica,&lt;br /&gt;tão rica que me inspira&lt;br /&gt;danças lindas, rimas vivas,&lt;br /&gt;apaixonados movimentos&lt;br /&gt;de um dançarino preso ao vento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;intenso, que emana do teu templo,&lt;br /&gt;inspirado, imaculado monumento,&lt;br /&gt;embriagado de vontade,&lt;br /&gt;frutas tropicais, mel e menta:&lt;br /&gt;riquezas d’alma benta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do Bem e do Mal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do Bem e do Mal&lt;br /&gt;acordo novo a cada dia&lt;br /&gt;pois todo dia, quando acordo,&lt;br /&gt;tenho a sua companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do Bem e do Mal&lt;br /&gt;nossa vida continua&lt;br /&gt;e apesar de tão confusa&lt;br /&gt;quero mais esta loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do Bem e do Mal&lt;br /&gt;seguiremos namorados&lt;br /&gt;enxugando juntos nossas lágrimas&lt;br /&gt;nos fazendo sempre apaixonados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do Bem e do Mal&lt;br /&gt;o coração no peito bate forte&lt;br /&gt;e mesmo na fraqueza e na desilusão&lt;br /&gt;faço do escutá-lo o meu esporte, pois&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do Bem e do Mal&lt;br /&gt;não estão o prazer e nem a dor&lt;br /&gt;ou mesmo a tristeza ou alegria&lt;br /&gt;ah, mas certamente muito além está o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madrugada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe, um barco avança&lt;br /&gt;sob o clarão de uma lua&lt;br /&gt;esplendorosamente cheia&lt;br /&gt;cujo reflexo beija meus olhos&lt;br /&gt;e afaga meu sonho latente.&lt;br /&gt;Não se ouve um pio de coruja,&lt;br /&gt;não se escuta um latido fremente.&lt;br /&gt;Infelizmente, nem mesmo um canto.&lt;br /&gt;(Não, a lua não canta.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro, um sentido se lança&lt;br /&gt;sobre o infinito de uma rua&lt;br /&gt;milagrosamente vazia&lt;br /&gt;cujo asfalto negro descansa&lt;br /&gt;e serve de caminho para um gato vadio.&lt;br /&gt;Não tocam as buzinas irritantes,&lt;br /&gt;não há motores em funcionamento.&lt;br /&gt;Felizmente, é a hora do silêncio.&lt;br /&gt;(Sim, minha alma canta.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Travessia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz calma no olhar,&lt;br /&gt;há nuvens esparsas no céu&lt;br /&gt;e um arco-íris que não dá,&lt;br /&gt;não dá pra acreditar.&lt;br /&gt;A tarde cai, o dia passa&lt;br /&gt;a lancha vai, minha cachaça&lt;br /&gt;é a travessia&lt;br /&gt;que não sai de mim, não sai.&lt;br /&gt;Tantas vezes foram&lt;br /&gt;que uma luz ficou&lt;br /&gt;entre aquela que foi&lt;br /&gt;e a outra que voltou;&lt;br /&gt;tão clara era&lt;br /&gt;que na paz frutificou&lt;br /&gt;e uma semente de pureza&lt;br /&gt;em lucidez se transformou.&lt;br /&gt;Oh, brisa,&lt;br /&gt;oh, brisa repentina,&lt;br /&gt;brisa que brilha cristalina&lt;br /&gt;no olhar que descansa&lt;br /&gt;entre muitas andanças&lt;br /&gt;e tantas ofeganças&lt;br /&gt;me leva, eu&lt;br /&gt;que criança estou&lt;br /&gt;repleto em teu frescor&lt;br /&gt;de mares e terras outras,&lt;br /&gt;todas ostras, pois pérolas&lt;br /&gt;de sonhos carregam, no sono,&lt;br /&gt;onde eu sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pequena Oração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Astro-Rei, de celebrada nobreza&lt;br /&gt;santificado seja o teu brilhar&lt;br /&gt;e perpétuo o teu morrer, renascer e germinar.&lt;br /&gt;És por ti que a Terra gira e vibra&lt;br /&gt;que a vida é viva e contamina&lt;br /&gt;com amor e com alegria&lt;br /&gt;o pão nosso de cada dia.&lt;br /&gt;Oh, Natureza! Mãe de todos nós,&lt;br /&gt;súditos da tua mão,&lt;br /&gt;te reverenciamos com a pureza da arte&lt;br /&gt;que criamos como forma de oração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infinitivo Pessoal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhar por entre alvoradas&lt;br /&gt;orvalhando madrugadas&lt;br /&gt;com o mel das ilusões&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Harmonizar os tons fascinantes&lt;br /&gt;que percorrem imensidões&lt;br /&gt;compondo novos horizontes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formar novas constelações&lt;br /&gt;com as estrelas mais solares&lt;br /&gt;que resplandecerem nos olhares&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajar na magia do arco-íris&lt;br /&gt;sempre em busca do tesouro&lt;br /&gt;cujo ouro é a harmonia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amar com a fina sutileza&lt;br /&gt;esvoaçante das borboletas&lt;br /&gt;semeando naturezas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criar sonhos de alquimia&lt;br /&gt;e neles plantar melodias&lt;br /&gt;que floresçam em poesias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocaso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imperceptivelmente, avança,&lt;br /&gt;em direção ao eterno consolo&lt;br /&gt;do retorno ao mesmo solo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flui, luminosa morbidez,&lt;br /&gt;em matizes harmoniosas&lt;br /&gt;qual bordado de Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serena, celeste pintura,&lt;br /&gt;desenhada a pulso ausente&lt;br /&gt;com cósmica tintura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inexprimível pulsar,&lt;br /&gt;ritmo místico, impulso,&lt;br /&gt;da esplendorosa natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pleno de espírito, respiro,&lt;br /&gt;sonho nuvens sonâmbulas&lt;br /&gt;e cantigas românticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo de tudo,&lt;br /&gt;gato sem passo, ocaso,&lt;br /&gt;da ação contemplativa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mensagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorria, eu te amo           vá à luta&lt;br /&gt;curta a vida                    com doçura&lt;br /&gt;não reclame                    toque o sonho&lt;br /&gt;fure a onda                      com o coração&lt;br /&gt;voe longe                           pinte o sete&lt;br /&gt;eu te canto                         faça um verso&lt;br /&gt;em qualquer canto           componha uma canção&lt;br /&gt;pule o muro                       flua, seja um rio&lt;br /&gt;troque o disco                   pororocante&lt;br /&gt;desfrute este balanço        no oceano apaixonante&lt;br /&gt;eu te ajudo                         uma tormenta delirante&lt;br /&gt;com meu ritmo                  no tolo tédio&lt;br /&gt;alucinante                           do capenga&lt;br /&gt;celebre, seja leve                eu te assisto&lt;br /&gt;dance a vida                        e compro o livro&lt;br /&gt;seja a ginga                          sem vacilo&lt;br /&gt;do crioulo                             ame, seja feliz&lt;br /&gt;muito doido                          mesmo que seja&lt;br /&gt;do meu samba.                     ainda mesmo&lt;br /&gt;Como ? Ora,                         por um triz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ode à Família&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Família&lt;br /&gt;útero eterno&lt;br /&gt;cama, chão e teto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;onde ninguém é demais&lt;br /&gt;e todos são alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Família,&lt;br /&gt;leite e mãe fraternos&lt;br /&gt;pai e pão severos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é tudo&lt;br /&gt;mas é um todo em si mesmo.&lt;br /&gt;Não é nada&lt;br /&gt;mas como é bom amá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mãe Ternura&lt;br /&gt;Apaixonada&lt;br /&gt;pelo rebento que pariu&lt;br /&gt;pela criança que educou&lt;br /&gt;pelo homem que esculpiu.&lt;br /&gt;Mãe Natureza&lt;br /&gt;Eternizada&lt;br /&gt;no lado oculto da lua&lt;br /&gt;na imensidão do oceano&lt;br /&gt;na floração da primavera.&lt;br /&gt;Mãe Amada&lt;br /&gt;Idolatrada&lt;br /&gt;na música que jorra&lt;br /&gt;na dança que sublima&lt;br /&gt;nos versos do poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presença que nutre, que alegra,&lt;br /&gt;que consola, que revela.&lt;br /&gt;Mãe menina, Mãe senhora,&lt;br /&gt;Abençoada seja sempre a sua hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pai&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se te mato é porque quero&lt;br /&gt;seguir sonhando. O homem bom não perdura&lt;br /&gt;se abandona os seus sonhos. Se te amo&lt;br /&gt;é porque quero seguir teu sonho.&lt;br /&gt;Mas meu sonho não te sonha,&lt;br /&gt;tu que um dia me sonhaste&lt;br /&gt;em um futuro brilhante.&lt;br /&gt;Se teu Dó maior&lt;br /&gt;não se afina com meu Lá distante,&lt;br /&gt;como seguir cantando?&lt;br /&gt;Ai meu pai, se te amo, se te mato,&lt;br /&gt;como seguir vivendo?&lt;br /&gt;Os meus sonhos são sagrados.&lt;br /&gt;O meu respeito é imenso.&lt;br /&gt;De dentro deste amor, só te ouso&lt;br /&gt;prometer um único esforço:&lt;br /&gt;por um mundo melhor,&lt;br /&gt;seguir lutando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conselho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cresce, meu filho, e te prepare&lt;br /&gt;que a vida é muito mais que pátria&lt;br /&gt;é ainda mais que arte&lt;br /&gt;e a melhor escolha possível&lt;br /&gt;é ser e deixar ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os caminhos conduzem, amigo,&lt;br /&gt;a curva de um só destino&lt;br /&gt;todo nascer provém de um morrer&lt;br /&gt;há que escolher um caminho e seguí-lo&lt;br /&gt;com a força do teu querer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiba que mesmo com tantos a tua volta&lt;br /&gt;o caminho é solitário e assim tu serás&lt;br /&gt;o que não impede que as mãos sejam dadas&lt;br /&gt;e beijos e carícias sejam trocadas&lt;br /&gt;no eterno jogo de dar e receber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando tu não puderes te dar mais&lt;br /&gt;e o teu desespero for demais&lt;br /&gt;levante a cabeça e dê uma sonora gargalhada&lt;br /&gt;pois não passa de uma grande piada&lt;br /&gt;tudo isto a que chamamos viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Édipo Total&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da minha mãe, a capacidade para amar.&lt;br /&gt;Do meu pai, a facilidade em perdoar.&lt;br /&gt;Da esposa, a comunhão com a natureza.&lt;br /&gt;Do meu filho, a vontade de ser.&lt;br /&gt;Do amigo, a necessidade de compreender.&lt;br /&gt;De mim, a força para viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da minha mãe, a comunhão com a natureza.&lt;br /&gt;Do meu pai, a necessidade de compreender.&lt;br /&gt;Da esposa, a capacidade para amar.&lt;br /&gt;Do meu filho, a força para viver.&lt;br /&gt;Do amigo, a facilidade em perdoar.&lt;br /&gt;De mim, a vontade de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Árvore do Amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento, enfim, a derrubou,&lt;br /&gt;a sólida e orgulhosa árvore do amor.&lt;br /&gt;E nem se pode dizer que muito tentou&lt;br /&gt;pois a brisa e a calmaria sempre predominaram&lt;br /&gt;impostas pela majestosa serenidade&lt;br /&gt;que emanava desde as profundas raízes&lt;br /&gt;até o mais ousado dos seus galhos.&lt;br /&gt;Mas eis que numa rajada de ódio&lt;br /&gt;(ah, como é ilusório o nosso poder)&lt;br /&gt;tudo aquilo que era vida vertical&lt;br /&gt;tradição, costume e moral&lt;br /&gt;num mísero segundo desmoronou&lt;br /&gt;e, sobrepondo-se ao sol, fez-se a dor.&lt;br /&gt;Que chova então em nossas almas,&lt;br /&gt;que o inverno gele nossos corações&lt;br /&gt;e o outono espalhe novas sementes&lt;br /&gt;que serão outras e será a mesma&lt;br /&gt;sólida e orgulhosa árvore do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andarilho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amar a vida&lt;br /&gt;expandi-la infinita&lt;br /&gt;como o sol que alumia&lt;br /&gt;com o vigor do meio-dia;&lt;br /&gt;e na noite mais escura&lt;br /&gt;as estrelas brilham puras&lt;br /&gt;convidando o andarilho&lt;br /&gt;à novas aventuras.&lt;br /&gt;Pela estrada ele esquece&lt;br /&gt;que segue, mas segue&lt;br /&gt;sonhando seu rumo&lt;br /&gt;sem prumo&lt;br /&gt;e pleno admira&lt;br /&gt;o gesto incontido&lt;br /&gt;do coração expandido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;falo&lt;br /&gt;gago&lt;br /&gt;errante&lt;br /&gt;pasmo&lt;br /&gt;ajo&lt;br /&gt;viajante&lt;br /&gt;traço&lt;br /&gt;passo&lt;br /&gt;flamejante&lt;br /&gt;sigo&lt;br /&gt;amigo&lt;br /&gt;amadoamante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tribos Urbanas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hippies, darks, funks,&lt;br /&gt;rasteando o lixo urbano;&lt;br /&gt;Yuppies, rastas, punks,&lt;br /&gt;farejando o sangue humano.&lt;br /&gt;Idênticos a si mesmos&lt;br /&gt;mas distantes do próprio umbigo;&lt;br /&gt;mendigos do olhar vizinho,&lt;br /&gt;fingindo estarem alheios.&lt;br /&gt;Compram fiado, vendem dobrado&lt;br /&gt;amam a virtude, odeiam o pecado&lt;br /&gt;cantam afinados, dançam alongados.&lt;br /&gt;Reflexos de tudo o que já foi&lt;br /&gt;projetados na vontade de alcançar&lt;br /&gt;o que será, Chico, que será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rio Douro, ó Porto e seus tesouros&lt;br /&gt;doces vinhos, mil sabores de amores&lt;br /&gt;embalados por seu passo vagaroso&lt;br /&gt;de preguiça assumida, de antiga,&lt;br /&gt;de sabida, de gaivota no pesqueiro&lt;br /&gt;em busca de comida; de boêmio&lt;br /&gt;adormecido nos braços da querida,&lt;br /&gt;musa-lusa da Ribeira, esquecida&lt;br /&gt;por Pessoa mas cantada em versos outros&lt;br /&gt;de um gajo aventureiro, brasileiro numa boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó Porto, quem navegou por tuas cavas&lt;br /&gt;e não se perdeu nos teus fados&lt;br /&gt;não naufragará em sonhos,&lt;br /&gt;é pena, pois jamais encontrará&lt;br /&gt;aqueles que levam, caprichosos,&lt;br /&gt;a teus tesouros misteriosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canto a Itaquá&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá onde o mar perfuma a existência&lt;br /&gt;meu corpo se enrosca em ondas perenes&lt;br /&gt;bailarinas de flutuante elegância;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de pedra a pedra vagueio a tua costa&lt;br /&gt;pisando de leve tua branca pele&lt;br /&gt;de ninfa amorosa, cálida e sensual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És o prazer genial e o principal lazer&lt;br /&gt;de tantos irmãos, do aqui e agora,&lt;br /&gt;dos que foram e que virão: musa imortal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, Itaquá, amante mendiga&lt;br /&gt;de corpos morenos, sedentos de luz,&lt;br /&gt;não poderíamos jamais te condenar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por seres assim, volúvel e provocativa&lt;br /&gt;pois em ti se harmonizam, tônicos,&lt;br /&gt;a vida, o sol e o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste Mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há de tudo, neste mundo!&lt;br /&gt;E, antes, muito e juntos&lt;br /&gt;do que pouco ou justo,&lt;br /&gt;mesmo que confuso,&lt;br /&gt;endividado, engarrafado&lt;br /&gt;e perdido entre mentes obtusas&lt;br /&gt;ofuscando luzes,&lt;br /&gt;erguendo cruzes&lt;br /&gt;por aí e nós aqui,&lt;br /&gt;muito fulos por motivos&lt;br /&gt;quase nulos, abismados&lt;br /&gt;com a grandeza de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste mundo, há de tudo,&lt;br /&gt;e ainda há muito para ver&lt;br /&gt;entre mil toques de ternura,&lt;br /&gt;tanta coisa pra saber&lt;br /&gt;no dicionário da cultura&lt;br /&gt;mesmo que venha a esquecer&lt;br /&gt;vale o prazer&lt;br /&gt;e eu quero mais esta loucura&lt;br /&gt;de jogar até ganhar&lt;br /&gt;de procurar até achar&lt;br /&gt;e me perder e me abrir bem junto a ti&lt;br /&gt;e nada me fará desistir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estrangeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de tantas viagens&lt;br /&gt;retorno a minha cidade natal&lt;br /&gt;e permaneço sendo um estrangeiro&lt;br /&gt;mesmo nas praias do meu litoral.&lt;br /&gt;Nossos verbos são os mesmos&lt;br /&gt;mas a linguagem não mais se assemelha;&lt;br /&gt;cumprimento as pessoas com alegria&lt;br /&gt;mas os diálogos são recheados de falsetes.&lt;br /&gt;Sinto-me um estranho passageiro&lt;br /&gt;em um trem de destino ignorado&lt;br /&gt;repleto de maniqueistas faceiros&lt;br /&gt;manobrado por um maquinista endeusado.&lt;br /&gt;Longa trilha, esta vida...&lt;br /&gt;mas se minha difícil sina&lt;br /&gt;é ser um estrangeiro contínuo&lt;br /&gt;em qualquer lugar que caminhe,&lt;br /&gt;então melhor sê-lo por aqui,&lt;br /&gt;onde nasci, cresci e me perdi,&lt;br /&gt;pois serei, não sendo, enquanto&lt;br /&gt;formos todos, não indo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Labirinto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu coração caminha livre, solto,&lt;br /&gt;envolto nas asas da liberdade&lt;br /&gt;mas uma profunda melancolia&lt;br /&gt;o acompanha, embalada, pelas veredas da soledade.&lt;br /&gt;As voltas deste labirinto formam um trânsito tumultuado,&lt;br /&gt;trânsito louco, mas desengarrafado,&lt;br /&gt;fluído e descompromissado&lt;br /&gt;pois não necessita ser justificado.&lt;br /&gt;O poeta atura o burguês, o burguês admira o poeta.&lt;br /&gt;Amigos são e, apesar da disparidade,&lt;br /&gt;conseguem viver quase pacificamente:&lt;br /&gt;quando um cobra o outro sobra,&lt;br /&gt;quando um canta o outro paga.&lt;br /&gt;E assim o labirinto vai girando&lt;br /&gt;e uma espiral vai se formando,&lt;br /&gt;expandindo a sua vontade.&lt;br /&gt;Vislumbro o núcleo, muitas vezes mareado,&lt;br /&gt;pois uma ansiedade me invade:&lt;br /&gt;desejo a liberdade e a comunhão entre o direito e o avesso,&lt;br /&gt;a estátua e o suingue, a donzela e o machão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caetaneando contra o vento, esqueço meu lenço&lt;br /&gt;e meus documentos são roubados&lt;br /&gt;(o dinheiro já havia acabado).&lt;br /&gt;Solteiro, casado ou divorciado,&lt;br /&gt;serei sempre namorado, ardendo ao acaso.&lt;br /&gt;Tomo coca-cola, como arroz integral,&lt;br /&gt;devoro um BigMac e bebo mate&lt;br /&gt;na mais pura mistura&lt;br /&gt;pós-natura e pré- vanguarda.&lt;br /&gt;Na televisão, na rua ou no teatro,&lt;br /&gt;aonde eu dançar meu ego agradece&lt;br /&gt;envaidecido pelo seu aplauso.&lt;br /&gt;Viajo em naves tele-espaciais&lt;br /&gt;e transo telepatia quando estou apaixonado.&lt;br /&gt;Corpo, mente, alma,&lt;br /&gt;busco sempre o positivo&lt;br /&gt;mesmo naquilo em que ninguém mais acredite.&lt;br /&gt;O mistério para mim é um Deus&lt;br /&gt;assim também como o são&lt;br /&gt;a beleza, a justiça e a verdade&lt;br /&gt;e mais Deus ainda é a minha fé inabalada&lt;br /&gt;pois eu nunca acredito em nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembranças&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chão é rosa, a copa é frondosa,&lt;br /&gt;o sabor é doce, o fruto é roxo,&lt;br /&gt;o ônibus passa, a lembrança fica,&lt;br /&gt;a infância estica e a cabeça gira&lt;br /&gt;na direção perdida da imagem rica&lt;br /&gt;que ficou, do pé de jambo que passou&lt;br /&gt;e eu lá, trepado, amarrado no sabor&lt;br /&gt;que me vem agora à boca&lt;br /&gt;quando paro no sinal&lt;br /&gt;ou será que engarrafou?&lt;br /&gt;que calor!&lt;br /&gt;a buzina me desperta, fico alerta&lt;br /&gt;suspiro fundo, mas não muito&lt;br /&gt;que a fumaça já é muita&lt;br /&gt;e não para de aumentar&lt;br /&gt;que droga!&lt;br /&gt;toda esta poluição logo agora&lt;br /&gt;bem na hora de lembrar...&lt;br /&gt;Tudo é verso, é certo,&lt;br /&gt;inclusive o reverso&lt;br /&gt;e é disto que vive&lt;br /&gt;meu compadre, o homem moderno,&lt;br /&gt;erecto, orgulhoso no seu terno&lt;br /&gt;italiano, importado,&lt;br /&gt;ora, que importa! o importante&lt;br /&gt;é que algo fique na memória,&lt;br /&gt;mãe da história&lt;br /&gt;que um dia eu vou contar&lt;br /&gt;na esquina de outra vida&lt;br /&gt;que outras vidas, enfim, vão perpetuar.&lt;br /&gt;Não, não é minha culpa&lt;br /&gt;se a música que toca&lt;br /&gt;abre todas as comportas&lt;br /&gt;e o sentido adormecido,&lt;br /&gt;de repente, faz sentido,&lt;br /&gt;trazendo uma enxurrada de emoções,&lt;br /&gt;formando novas melodias,&lt;br /&gt;compondo antigas canções.&lt;br /&gt;Quem diria, comia mariscos&lt;br /&gt;em Madri e sentia na boca&lt;br /&gt;aquele gostinho salgado&lt;br /&gt;de soca na Itapuca,&lt;br /&gt;a praia da pedra maluca&lt;br /&gt;onde o surf era a ordem,&lt;br /&gt;a onda era a conquista&lt;br /&gt;e a lei era impulsiva:&lt;br /&gt;“antes de mais nada,&lt;br /&gt;tudo é possível!”&lt;br /&gt;E é impossível esquecer&lt;br /&gt;se você não se perder&lt;br /&gt;no requinte da automatização&lt;br /&gt;pois a memória emocional&lt;br /&gt;não cabe na programação&lt;br /&gt;de um computador de dados,&lt;br /&gt;dardos no espaço, passos&lt;br /&gt;apressados em várias direções,&lt;br /&gt;botões apertados, brinquedos quebrados&lt;br /&gt;por mãos estabanadas, bolinha&lt;br /&gt;de gude na praça, futebol&lt;br /&gt;de botão com meu irmão,&lt;br /&gt;o time da escola, a mãe preta da casa,&lt;br /&gt;a vaca malhada que pegava&lt;br /&gt;e eu suava pra escapar&lt;br /&gt;sem sofrer um arranhão&lt;br /&gt;na cerca de arame farpado&lt;br /&gt;que cercava o curral da imaginação:&lt;br /&gt;bolhas, bolhas, muitas bolhas&lt;br /&gt;de sabão, são lembranças&lt;br /&gt;que se desfazem&lt;br /&gt;como brincadeiras de crianças&lt;br /&gt;na palma da minha mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite ainda respira e, assustada,&lt;br /&gt;vislumbra o jovem que, inquieto, clama&lt;br /&gt;e pinta a fada e acende a chama&lt;br /&gt;da movimentada madrugada.&lt;br /&gt;Retiro tudo o que é meu,&lt;br /&gt;que a duras penas me pertence,&lt;br /&gt;potente ainda e tanto mesmo&lt;br /&gt;que me ponho a escrever&lt;br /&gt;tudo o que acabara de ler&lt;br /&gt;na vida que pulsava a mil&lt;br /&gt;em cada bar, em cada pub,&lt;br /&gt;em cada mero olhar furtivo&lt;br /&gt;que cruzava o meu, calado,&lt;br /&gt;embriagado pela morte azul da lua&lt;br /&gt;assassinada pela falta de atenção&lt;br /&gt;de estressados namorados&lt;br /&gt;que espremidos em boates&lt;br /&gt;se esfregavam ao som do rap&lt;br /&gt;adormecendo o coração,&lt;br /&gt;afogando a dor no sábado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, meu sábado, quanto estrago&lt;br /&gt;já sofri, bêbado por vergonha&lt;br /&gt;de quantas festas já fugi&lt;br /&gt;quando as brigas começavam&lt;br /&gt;garrafas quebradas, punhos cerrados,&lt;br /&gt;amigos esmurrados&lt;br /&gt;e eu nem havia beijado&lt;br /&gt;aquela doce criatura,&lt;br /&gt;pura, recentemente conquistada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, meu desejo, quantos beijos&lt;br /&gt;já te dei e tu ainda me sorri,&lt;br /&gt;chega de mansinho,&lt;br /&gt;me afaga com carinho,&lt;br /&gt;me chama de menino&lt;br /&gt;e eu com 30 não aprendi&lt;br /&gt;a recusar os teus anseios&lt;br /&gt;disfarçado por meneios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, meu desejo, frágil espelho,&lt;br /&gt;na falta de tudo, te culpo,&lt;br /&gt;no beijo da aranha, me assanho,&lt;br /&gt;no calor do humano, te amo,&lt;br /&gt;e tua boca carmesim&lt;br /&gt;saca a língua, me envolve,&lt;br /&gt;e eu não luto, me entrego,&lt;br /&gt;e acabo louco, ortodoxo&lt;br /&gt;sendo o rei do paradoxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, meu sábado, quanta saudade,&lt;br /&gt;e se hoje do meu canto&lt;br /&gt;vivo tranqüilo a espreitá-lo&lt;br /&gt;é porque faz parte de um passado&lt;br /&gt;juvenil, irresponsável. Energia&lt;br /&gt;transformada em versos tristes:&lt;br /&gt;Poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Divagações&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunto...&lt;br /&gt;Quantas situações criaremos com nossos&lt;br /&gt;atos e ambições?&lt;br /&gt;E quantas outras criarão em nós&lt;br /&gt;desejos e ilusões?&lt;br /&gt;Hoje estou tão poeta&lt;br /&gt;amanhã, quiçá, burguês.&lt;br /&gt;Quando não estou pensando&lt;br /&gt;assisto a televisão,&lt;br /&gt;mesmo estando desligada&lt;br /&gt;reflete aquele que não vê,&lt;br /&gt;mesmo sendo desligado,&lt;br /&gt;nunca deixo de comer!&lt;br /&gt;E eis que então se arma o pranto&lt;br /&gt;e tudo o mais se torna canto&lt;br /&gt;e coro e voz e corpo e dança.&lt;br /&gt;Poder...&lt;br /&gt;Não mais do que tudo poder&lt;br /&gt;antes nunca do que a tarde caia,&lt;br /&gt;logo quando venha a saber&lt;br /&gt;tantas coisas infundadas&lt;br /&gt;que os mais loucos batam palmas,&lt;br /&gt;a mais casta tire a saia&lt;br /&gt;e o mundo exploda de prazer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amada...&lt;br /&gt;Que faz todo o universo&lt;br /&gt;presente em meu ser.&lt;br /&gt;E o que faz meu todo&lt;br /&gt;quando sente este prazer?&lt;br /&gt;Orgasmos,&lt;br /&gt;mansos, suaves, deliciosos orgasmos,&lt;br /&gt;quando vaga-lumes impunes&lt;br /&gt;brilham todos de uma vez&lt;br /&gt;e a floresta resplandece e pulsa nua&lt;br /&gt;ninfeta louca, puta e crua!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpais...&lt;br /&gt;Me assustam tantas coisas,&lt;br /&gt;tantos anos, tantos homens,&lt;br /&gt;tão sozinhos, tão mesquinhos,&lt;br /&gt;tão capazes que nem sei,&lt;br /&gt;que nem mesmo saberei&lt;br /&gt;e assim mesmo julgarei:&lt;br /&gt;Inocente, borboleta esvoaçante.&lt;br /&gt;Culpada, cascavel rastejante.&lt;br /&gt;Perdoada, amada amadamante.&lt;br /&gt;Condenada, a falsa extravagante.&lt;br /&gt;Quem, quiçá, que sou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá, não há, estou!&lt;br /&gt;É tudo ou nada,&lt;br /&gt;é plunc e plou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio...&lt;br /&gt;Apenas a voz do santo&lt;br /&gt;canta a vez e a esperança&lt;br /&gt;a quem aguarda solitário,&lt;br /&gt;entre nuvens carregadas,&lt;br /&gt;os presentes de um passado&lt;br /&gt;inquisitivo, fugitivo,&lt;br /&gt;e, ademais, calado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade, não se cansa o palhaço,&lt;br /&gt;não se ouve o estardalhaço,&lt;br /&gt;não se sabe nunca nada,&lt;br /&gt;que salada!&lt;br /&gt;perdido entre os espaços,&lt;br /&gt;armado de ternura e estupor,&lt;br /&gt;bendita seja a voz do sonhador!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bispo do Rosário&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vestido com seu manto bordado&lt;br /&gt;com desenhos e inscrições nascidos&lt;br /&gt;de sua vibrante imaginação festiva,&lt;br /&gt;lá vai Bispo do Rosário,&lt;br /&gt;em seu reluzente navio-fantasma,&lt;br /&gt;pirata dos porões da mente,&lt;br /&gt;saqueando o inconsciente&lt;br /&gt;para extrair o sumo onírico&lt;br /&gt;com que compõe sua obra artesanal.&lt;br /&gt;Lá vai ele, visionário,&lt;br /&gt;navegando sonhos pelas costas&lt;br /&gt;de um país demente&lt;br /&gt;que jamais lhe deu a frente,&lt;br /&gt;combatendo bravamente&lt;br /&gt;o destemido inimigo racional,&lt;br /&gt;destruidor do seu adorado caos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Francisco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Francisco... ah, meu Chico!&lt;br /&gt;Perdoe tanta intimidade&lt;br /&gt;mas ela é o doce fruto&lt;br /&gt;de uma admiração profunda,&lt;br /&gt;de uma abnegação comum&lt;br /&gt;e de um amor que nos une&lt;br /&gt;nos amplos campos de lírios,&lt;br /&gt;no singelo cantar dos passarinhos,&lt;br /&gt;nas misteriosas florestas do espírito!&lt;br /&gt;Ah, meu Chico, quantas lágrimas&lt;br /&gt;você me fará ainda derramar&lt;br /&gt;neste solo tão cheio de injustiças&lt;br /&gt;com o exemplo santo de uma vida limpa&lt;br /&gt;lavando a alma mais encardida&lt;br /&gt;como a chuva fina que germina,&lt;br /&gt;incondicionalmente, novas formas de vida&lt;br /&gt;coloridas pela sua rica mensagem&lt;br /&gt;de dar e amar, de paz e bem.&lt;br /&gt;Ah, meu Chico, como é bom estar contigo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cristo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ò Cristo das mãos retorcidas!&lt;br /&gt;Te olho de baixo&lt;br /&gt;e admiro teus pés limpos.&lt;br /&gt;Ò Cristo das costelas expostas!&lt;br /&gt;Te sinto comigo&lt;br /&gt;na solidão do meu umbigo.&lt;br /&gt;Ò Cristo do sexo escondido!&lt;br /&gt;Te renego com a força&lt;br /&gt;do meu sexo assumido.&lt;br /&gt;Ò Cristo dos braços abertos!&lt;br /&gt;Te abro meus braços&lt;br /&gt;e com carinho te abraço.&lt;br /&gt;Ò Cristo de explosivo plexo solar!&lt;br /&gt;Te acompanho na dança&lt;br /&gt;que balança e faz pensar.&lt;br /&gt;Ò Cristo da voz profunda!&lt;br /&gt;Te escuto com atenção&lt;br /&gt;e minha respiração se aprofunda.&lt;br /&gt;Ò Cristo da cabeça erguida!&lt;br /&gt;Te venero na verdade&lt;br /&gt;da lição do compromisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daime&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fecho os olhos e um outro mundo transparece&lt;br /&gt;multicolorido, multifacetado, multidimensionado&lt;br /&gt;como um caleidoscópio assombrado&lt;br /&gt;onde a coragem é o anjo alado&lt;br /&gt;e o medo, o chifrudo diabo;&lt;br /&gt;como um túnel do tempo sem tempo&lt;br /&gt;onde o real cede ao ilusório&lt;br /&gt;e o sonho se torna a morada,&lt;br /&gt;habitada por seres abstratos&lt;br /&gt;que pressinto por entre as cores e formas reflexas&lt;br /&gt;nas profundezas do inconsciente desnudo&lt;br /&gt;dito sombrio, mas visto belo e complexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abro os olhos e a fogueira reaparece&lt;br /&gt;ardente, chamejante, caliente,&lt;br /&gt;cercada por seres animados&lt;br /&gt;semelhantes a mim no formato,&lt;br /&gt;semelhantes a Deus, como o resto,&lt;br /&gt;cada qual obcecado com sua viagem.&lt;br /&gt;Me sinto de todo apaixonado,&lt;br /&gt;por todos os seres e a aura que os envolve,&lt;br /&gt;é a vida pulsando em harmonia&lt;br /&gt;em cada átomo, em cada ato,&lt;br /&gt;é o amor a tudo o que é vivo,&lt;br /&gt;o que me ensina a morte diária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liberdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liberdade, ó pátria amada,&lt;br /&gt;onde os braços executam, árduas,&lt;br /&gt;as leis que os doutos traçam&lt;br /&gt;e pernas bambas me sustentam&lt;br /&gt;quando o peso da existência grávida,&lt;br /&gt;sem piedade, me desgasta&lt;br /&gt;ou me atira em abismos imaginários&lt;br /&gt;fecundos por minha própria ociosidade&lt;br /&gt;alternando momentos de paz iluminada&lt;br /&gt;e luta muda, desregrada,&lt;br /&gt;com amigos e inimigos que penso conhecer&lt;br /&gt;quando navego à deriva&lt;br /&gt;na falsa lucidez das certezas óbvias&lt;br /&gt;que a razão insiste em conceber&lt;br /&gt;quando pressente o sofrimento&lt;br /&gt;e inclusive mesmo o prazer&lt;br /&gt;multiplicados por esta a quem confio&lt;br /&gt;os esforços de uma vida eternizada&lt;br /&gt;sempre pátria, sempre amada,&lt;br /&gt;ó toda liberdade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hino ao Grito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indignado, o homem não pode calar seu grito&lt;br /&gt;pois esta omissão fará encolher o seu espírito.&lt;br /&gt;A luta pelo direito é um dever para consigo&lt;br /&gt;e a essência do direito está no grito.&lt;br /&gt;Pior do que ter um direito infringido&lt;br /&gt;é aceitar passivamente a ofensa sofrida.&lt;br /&gt;Portanto, não sufoque jamais o seu grito:&lt;br /&gt;seja o rugido instintivo, enfurecido do animal,&lt;br /&gt;seja a sábia palavra, asa e arma racional,&lt;br /&gt;solte, homem, o seu grito,&lt;br /&gt;grito calado é sangue estancado&lt;br /&gt;gangrenando o coração,&lt;br /&gt;corroendo cada passo dado&lt;br /&gt;na direção incomensurável&lt;br /&gt;da expansão da liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo está marrom&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jaz no chão com o corpo disforme&lt;br /&gt;o corpo retorcido de cor marrom&lt;br /&gt;do garoto pequenino de aspecto franzino&lt;br /&gt;que caiu furado, Deus sabe por quem,&lt;br /&gt;no asfalto manchado mais uma vez&lt;br /&gt;pelo sangue nosso de cada dia&lt;br /&gt;que, dia após dia, aumenta e forma um rio&lt;br /&gt;de miséria, ignorância e revolta&lt;br /&gt;onde bóiam os ricos e os políticos&lt;br /&gt;enjaulados nas barras do medo opressivo&lt;br /&gt;todos, todos, rumo ao mesmo destino.&lt;br /&gt;Ò Pai, tudo está marrom!&lt;br /&gt;Que caiam os corpos, se devem cair,&lt;br /&gt;mas não assim, não furados;&lt;br /&gt;que caiam cansados, estafados,&lt;br /&gt;após uma vida de árduo trabalho;&lt;br /&gt;que caiam doentes, acidentados,&lt;br /&gt;na fraqueza e no desespero da carne;&lt;br /&gt;mas que caiam, sobretudo, com dignidade.&lt;br /&gt;A vida vale, você sabe,&lt;br /&gt;muito e tanto, que tudo&lt;br /&gt;que fizermos para preservá-la,&lt;br /&gt;enaltecê-la e honrá-la,&lt;br /&gt;será pouco, será nada&lt;br /&gt;se não for soberana a vontade&lt;br /&gt;de que atinja a todos&lt;br /&gt;indiscriminadamente, como um raio,&lt;br /&gt;do menos favorecido favelado&lt;br /&gt;ao mais abastado milionário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vala Coletiva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um buraco fundo cavado na terra sombria&lt;br /&gt;ao lado de outro buraco e outro e muitos,&lt;br /&gt;todos juntos formando uma imensa vala coletiva&lt;br /&gt;onde foram largados, onde são jogados,&lt;br /&gt;onde serão enterradas as carnes já frias&lt;br /&gt;das vítimas de mais uma monstruosa chacina.&lt;br /&gt;Um povo desesperado agoniza, impotente,&lt;br /&gt;nas mãos de uma polícia enlouquecida,&lt;br /&gt;doente, carrascos de um governo inoperante.&lt;br /&gt;Sem-terra, sem-comida, sem-saúde, sem-emprego,&lt;br /&gt;somos cem milhões de desprovidos&lt;br /&gt;prontos para as próximas chacinas.&lt;br /&gt;Quanta barbárie caberá ainda neste Brasil&lt;br /&gt;que quer ser rico mas é apenas mesquinho,&lt;br /&gt;que finge ser grande quando grande é a sombra&lt;br /&gt;das lágrimas dos que velam suas valas?&lt;br /&gt;Quantas valas serão cavadas na sala de visitas&lt;br /&gt;no horário mais nobre da telinha colorida&lt;br /&gt;enquanto escondemos nossa cara envergonhada&lt;br /&gt;sob um prato quente de comida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dinheiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo mansões grandiosas&lt;br /&gt;em lugares privilegiados&lt;br /&gt;mas, que vazias!&lt;br /&gt;suas piscinas e sacadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo salões decorados&lt;br /&gt;e pisos deslizantes&lt;br /&gt;mas, que pena!&lt;br /&gt;nenhum casal está dançando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ar é limpíssimo&lt;br /&gt;o astral é altíssimo&lt;br /&gt;mas, que triste!&lt;br /&gt;não há ninguém sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei, o dinheiro ajuda muito&lt;br /&gt;e compra mesmo quase tudo&lt;br /&gt;(desde amantes esfuziantes&lt;br /&gt;a drogas alucinantes)&lt;br /&gt;mas, qual o preço do dinheiro?&lt;br /&gt;E se pesarmos na balança&lt;br /&gt;com o valor da própria vida?&lt;br /&gt;Quando é ganho com suor,&lt;br /&gt;prazer e honestidade,&lt;br /&gt;vale mais do que a nota indica;&lt;br /&gt;mas quando é fruto do roubo,&lt;br /&gt;da esperteza e da cobiça,&lt;br /&gt;valerá tanto quanto&lt;br /&gt;o que seu corpo gravará?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A perda da amizade,&lt;br /&gt;esta pérola sem a qual&lt;br /&gt;a vida é quase nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inocência embrutecida&lt;br /&gt;pela corrupção e pela hipocrisia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta de alegria&lt;br /&gt;espontânea, sem ajuda da bebida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um peito tão fechado&lt;br /&gt;por um sentir tão encubado&lt;br /&gt;que o amor fica enrugado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valerá, pergunto só por perguntar,&lt;br /&gt;valerá o preço a se pagar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo quer saber&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo quer saber&lt;br /&gt;por que vive na miséria&lt;br /&gt;quando outros,&lt;br /&gt;muito poucos,&lt;br /&gt;desfrutam mordomias&lt;br /&gt;e se concedem regalias.&lt;br /&gt;O povo quer saber&lt;br /&gt;por que a lei é dura&lt;br /&gt;apenas para os duros&lt;br /&gt;enquanto os ricos podem tudo&lt;br /&gt;pois há sempre mil recursos.&lt;br /&gt;O povo quer saber&lt;br /&gt;por que o Estado é tão rico&lt;br /&gt;e o serviço público tão fajuto.&lt;br /&gt;O povo quer saber&lt;br /&gt;mas não querem que o povo saiba&lt;br /&gt;porque é na ignorância do povo&lt;br /&gt;que reside a força&lt;br /&gt;daqueles que detêm o poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grades&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdoem as grades,&lt;br /&gt;inimigas da liberdade,&lt;br /&gt;mas protegem nossas vidas&lt;br /&gt;e já se incorporaram à paisagem.&lt;br /&gt;Estão por todas as partes:&lt;br /&gt;nas janelas, nos portões,&lt;br /&gt;nas entradas, nas saídas,&lt;br /&gt;sempre duras, sempre frias,&lt;br /&gt;sempre barras divisórias&lt;br /&gt;fixadas na memória.&lt;br /&gt;Nós que gostamos de enjaular&lt;br /&gt;passarinhos e animais&lt;br /&gt;enjaulamo-nos também&lt;br /&gt;mais e mais.&lt;br /&gt;Será uma lição da vida,&lt;br /&gt;a moral da história&lt;br /&gt;ou apenas gosto pessoal?&lt;br /&gt;Vivemos acossados&lt;br /&gt;com medo do próximo&lt;br /&gt;que nada tem&lt;br /&gt;quando temos mesa farta&lt;br /&gt;e passamos tão bem.&lt;br /&gt;Nos trancafiamos&lt;br /&gt;com nossa família e nossos bens&lt;br /&gt;e entregamos a chave&lt;br /&gt;nas mãos de um destino&lt;br /&gt;que não fará justiça com ninguém&lt;br /&gt;porque justo não é apenas&lt;br /&gt;punir o pobre que rouba&lt;br /&gt;quando deveria trabalhar,&lt;br /&gt;é punir com rigor o rico ladrão&lt;br /&gt;que com sua ganância&lt;br /&gt;aumenta a miséria do povão,&lt;br /&gt;mas estamos tão distantes&lt;br /&gt;desta justiça tão óbvia&lt;br /&gt;que não sei não...&lt;br /&gt;Haverá ferro suficiente&lt;br /&gt;para que cada um tenha&lt;br /&gt;sua própria gaiola?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Palhaço lá da praça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava já cansado e sentou-se ao meu lado&lt;br /&gt;em um banco lá da praça.&lt;br /&gt;Vestia um collant bem colorido,&lt;br /&gt;tinha o nariz, boca e olhos pintados&lt;br /&gt;e comia tranqüilo castanhas e passas.&lt;br /&gt;Eis que acercou-se de nós um menino,&lt;br /&gt;queria um pouco de castanhas e passas&lt;br /&gt;e também falar com o ser raro.&lt;br /&gt;A comunhão foi imediata,&lt;br /&gt;logo ouvia atento às estórias fantásticas&lt;br /&gt;que falavam de gatos, bolas, fadas&lt;br /&gt;e das coisas lá da praça.&lt;br /&gt;Mas, de repente, chegaram seus pais,&lt;br /&gt;o menino não podia incomodar&lt;br /&gt;-que piada- o ócio do palhaço!&lt;br /&gt;Levaram à força o curioso&lt;br /&gt;a um lugar mais afastado&lt;br /&gt;onde reinaria a paz forçada.&lt;br /&gt;Eu, atordoado, chorava.&lt;br /&gt;Pensava no meu filho distante,&lt;br /&gt;na vida em sociedade,&lt;br /&gt;nas estórias do palhaço&lt;br /&gt;e pouco a pouco foi crescendo&lt;br /&gt;no meu peito um sentimento&lt;br /&gt;de revolta contra o medo,&lt;br /&gt;de esperança e fé na vida,&lt;br /&gt;de amor à liberdade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realidade Virtual&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visual, o tal&lt;br /&gt;não perde nunca a moral&lt;br /&gt;tem compromisso total&lt;br /&gt;com o tal do capital.&lt;br /&gt;Sempre formal&lt;br /&gt;se pensa especial&lt;br /&gt;por carregar no metal&lt;br /&gt;o seu valor social.&lt;br /&gt;O tal, quando rima, rima mal&lt;br /&gt;tipo racional&lt;br /&gt;altamente fatal&lt;br /&gt;para o poético em geral.&lt;br /&gt;É, sem dúvida, a imagem ideal&lt;br /&gt;ordenada por um banco central&lt;br /&gt;para uma sociedade artificial&lt;br /&gt;baseada na realidade virtual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma Lágrima&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma lágrima&lt;br /&gt;no canto esquerdo do olho direito.&lt;br /&gt;Uma lágrima pesada,&lt;br /&gt;misturada à maquiagem barata&lt;br /&gt;do palhaço que tentou fazer graça&lt;br /&gt;na exata hora errada,&lt;br /&gt;na hora da banalidade responsável&lt;br /&gt;da coisa séria&lt;br /&gt;que o dever reclama e a razão inflama&lt;br /&gt;e o palhaço sem relógio entrou de gaiato&lt;br /&gt;no sapato da história&lt;br /&gt;sem, ao menos, ter sido respeitado&lt;br /&gt;e saiu, no barato, pisado e humilhado&lt;br /&gt;porque é no circo o lugar deste aloprado&lt;br /&gt;-disseram- assim como o banco é o abrigo&lt;br /&gt;detestável -retrucou ele-&lt;br /&gt;do avesso do engraçado,&lt;br /&gt;do escravo do dinheiro e carrasco dos negócios&lt;br /&gt;que não brinca em serviço, nem fora,&lt;br /&gt;não ri se não for compensatório&lt;br /&gt;e não ama se não for em dólar.&lt;br /&gt;Todos temos uma lágrima no canto escondido&lt;br /&gt;do olho perdido de um corpo ferido&lt;br /&gt;e é com a minha que eu, desnudo,&lt;br /&gt;escrevo o assunto, exorcizo e consumo&lt;br /&gt;o palhaço que assumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existir, seja como Flor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flor da vida no poder,&lt;br /&gt;pétala suave a comandar&lt;br /&gt;um jardim que de espinhos&lt;br /&gt;está farto e esgotado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não cheiram tuas esquinas&lt;br /&gt;a acácias, lírios, dálias,&lt;br /&gt;não se tocam as extremidades&lt;br /&gt;com doçura e amabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua cor agora é uma&lt;br /&gt;cor sem brilho e desbotada,&lt;br /&gt;arco-íris sem o íris,&lt;br /&gt;sem tesouros a encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flor da vida, minha dança,&lt;br /&gt;faça tu agora as contas,&lt;br /&gt;distribua aos quatro cantos&lt;br /&gt;teu amor, tua esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apazigúe teus espinhos,&lt;br /&gt;deixe a abelha trabalhar,&lt;br /&gt;o mel vai ser tão puro&lt;br /&gt;e ainda vai sobrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando chegue o beija-flor&lt;br /&gt;beije a vida, abrace o ar,&lt;br /&gt;a água vem do céu, vem gratuita&lt;br /&gt;como a clara luz solar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flor da vida, altiva flor,&lt;br /&gt;teu poder está na pétala&lt;br /&gt;abra os braços, maravilha,&lt;br /&gt;assuma já teu esplendor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda prezo mais minha consciência&lt;br /&gt;que a minha loucura!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem faria um lustre de uma cabaça rachada&lt;br /&gt;e escreveria o próprio nome na cabeça raspada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem viveria “legal” sem usar de drogas&lt;br /&gt;e se drogaria numa igreja usando coroas e fardas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem se masturbaria num palco vestido de fauno&lt;br /&gt;e esbofetearia um amigo por ter maltratado um cavalo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem em meio a tortura e a morte insistiria com a verdade&lt;br /&gt;e beberia cicuta com toda boa vontade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem cavaria um túnel pelo simples prazer da labuta&lt;br /&gt;e cortaria fora a orelha pelo amor de uma puta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia os loucos me convidaram para uma grande festa&lt;br /&gt;e com danças e contos de outro mundo,&lt;br /&gt;me seduziram e me encantaram.&lt;br /&gt;Embriaguei-me uma lua inteira com o néctar&lt;br /&gt;da beleza e da verdade;&lt;br /&gt;desperto na nova, encontrei-me sozinho e abandonado&lt;br /&gt;com a loucura herdada&lt;br /&gt;e com o sangue que me restava na veia&lt;br /&gt;amaldiçoei a todos estes desgarrados&lt;br /&gt;piratas d’alma alheia.&lt;br /&gt;Mas a tarde era tal que o sol como que me dizia&lt;br /&gt;qu’eu deveria acompanhá-lo.&lt;br /&gt;Lancei-me então à vida como se fosse a lida&lt;br /&gt;a minha única saída&lt;br /&gt;e tracei com este impulso as linhas onde comporia&lt;br /&gt;minha sina, minha dança, meu recado, minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Drogas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na onda da lucidez&lt;br /&gt;eu sou rei e mais sei&lt;br /&gt;sobre mim e coisas afins&lt;br /&gt;assim meio serafim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajar é preciso&lt;br /&gt;mas é nas asas da pureza&lt;br /&gt;que eu me realizo&lt;br /&gt;e me integro à natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes a inocência dos sentidos&lt;br /&gt;que uma loucura sem sentido&lt;br /&gt;pois se a consciência é um barato&lt;br /&gt;o preço do vício é muito caro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, depois, não vai ser a alucinação&lt;br /&gt;de uma droga corrosiva&lt;br /&gt;que vai dar asas à imaginação&lt;br /&gt;de um viciado sem amor à vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ato Fálico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não escrevo para os intelectuais&lt;br /&gt;porque os perco&lt;br /&gt;sempre que buscam rebuscamentos&lt;br /&gt;nas linhas simples e concisas&lt;br /&gt;por onde flui meu pensamento.&lt;br /&gt;Não escrevo para os bailarinos&lt;br /&gt;porque não costumam ler&lt;br /&gt;ocupados que estão com os pés&lt;br /&gt;pontados, barrigas e nucas enxutas,&lt;br /&gt;vítimas de uma estética dietética.&lt;br /&gt;Não escrevo para os poetas&lt;br /&gt;porque não tem olhos&lt;br /&gt;que não sejam para a própria poesia&lt;br /&gt;egocentrados na hipersensibilidade,&lt;br /&gt;obcecados por suas sombras solitárias.&lt;br /&gt;Não escrevo para os amigos&lt;br /&gt;porque já me conhecem,&lt;br /&gt;aprenderam a ler nos meus olhos,&lt;br /&gt;a decifrar meus silêncios&lt;br /&gt;e a comer no mesmo prato.&lt;br /&gt;Não escrevo para a posteridade&lt;br /&gt;porque não acredito mesmo&lt;br /&gt;que exista tal coisa&lt;br /&gt;que não seja para consolar a vaidade&lt;br /&gt;inconformada de um presente frustrado.&lt;br /&gt;Não escrevo nem mesmo para mim&lt;br /&gt;porque não suporto ver-me duas vezes&lt;br /&gt;e cada vez que me revejo&lt;br /&gt;espelhado nos meus versos&lt;br /&gt;tenho uma vontade louca de correr.&lt;br /&gt;Por que diabos escreves então?&lt;br /&gt;perguntarão os ignorantes,&lt;br /&gt;meus irmãos de consciência,&lt;br /&gt;que me instigam com sua audácia&lt;br /&gt;a dar o melhor de mim.&lt;br /&gt;Não escrevo para nada&lt;br /&gt;porque o tudo é a mão&lt;br /&gt;que me move, leve pluma&lt;br /&gt;do desejo, desvendada&lt;br /&gt;neste fálico mistério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem Destino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não escreverei mais, pouco me importa!&lt;br /&gt;Nem mesmo aprecio os grandes poetas,&lt;br /&gt;apenas algumas linhas mesquinhas&lt;br /&gt;me acompanham na minha mandinga&lt;br /&gt;mas, uma antologia? que agonia!&lt;br /&gt;decifrar polidamente&lt;br /&gt;os enigmas destas poderosas mentes&lt;br /&gt;que despejam palavras&lt;br /&gt;numa enxurrada de metáforas&lt;br /&gt;e citações eruditas que espelham&lt;br /&gt;uma memória prodigiosa&lt;br /&gt;de computador último tipo.&lt;br /&gt;Vai estudar, menino,&lt;br /&gt;coloque-se no seu lugar!&lt;br /&gt;Ai, meu pai que mora em mim&lt;br /&gt;e que nunca se cala&lt;br /&gt;porque eu nunca estou onde deveria estar,&lt;br /&gt;porque eu nunca sei onde gostaria de estar.&lt;br /&gt;Vai estudar, menino,&lt;br /&gt;ou faz algo que te dê algum dinheiro&lt;br /&gt;porque de menino já te basta o teu filho&lt;br /&gt;que tu tens para educar.&lt;br /&gt;Ai, meu pai que mora em mim,&lt;br /&gt;dono da minha vergonha, que me põe no meu lugar,&lt;br /&gt;um lugar no mundo do respeito, sem despeito,&lt;br /&gt;das regras restritas da sociedade, sem maldade,&lt;br /&gt;um sujeito amigável! um artista respeitável!&lt;br /&gt;que bonito, e ganhar um prêmio qualquer,&lt;br /&gt;doá-lo a uma instituição de caridade&lt;br /&gt;e voltar para casa orgulhoso&lt;br /&gt;com a vaidade lavada e enxugada&lt;br /&gt;pelo elogio alheio -a puta vaidade!-&lt;br /&gt;esta grande cúmplice do poder, colorido ou enegrecido&lt;br /&gt;que fala pela boca gulosa do meu pai fora de mim:&lt;br /&gt;vai trabalhar vagabundo!&lt;br /&gt;que não passas de um preguiçoso&lt;br /&gt;metido a poeta, este trágico,&lt;br /&gt;e ainda por cima bailarino, este menino,&lt;br /&gt;sem diploma, sem destino... que destino?&lt;br /&gt;se no futuro estaremos todos lindos,&lt;br /&gt;engomados, engravatados no túmulo do mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Utopia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha poesia o dinheiro não pinta.&lt;br /&gt;Pintam umas meninas, pintam ricas aventuras&lt;br /&gt;mas o papel moeda não pinta.&lt;br /&gt;Não pinta a casa própria,&lt;br /&gt;não pinta um carro do ano,&lt;br /&gt;não tenho nem conta no banco.&lt;br /&gt;Eu canto, eu danço,&lt;br /&gt;eu sapateio, eu esperneio,&lt;br /&gt;a cabeça está sempre cheia de idéias&lt;br /&gt;mas o bolso está sempre vazio.&lt;br /&gt;Por mais que eu pinte, a grana não pinta.&lt;br /&gt;Eu não sou consumista, não sou elitista&lt;br /&gt;mas também não sou masoquista&lt;br /&gt;e sem grana no bolso&lt;br /&gt;a coisa fica difícil,&lt;br /&gt;fica ruim tocar a vida&lt;br /&gt;no compasso desta utopia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sonho não acabou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, você não está sozinha,&lt;br /&gt;o sonho não acabou!&lt;br /&gt;Talvez tenha apenas mudado,&lt;br /&gt;aliás, como tudo o mais.&lt;br /&gt;Para uns, nem isto,&lt;br /&gt;sonho de cristal.&lt;br /&gt;Para outros, é o fim da história,&lt;br /&gt;tipo radical.&lt;br /&gt;Para mim, apenas mudou,&lt;br /&gt;permanecendo o essencial&lt;br /&gt;que, entre outras coisas,&lt;br /&gt;consiste no próprio sonhar.&lt;br /&gt;Afinal, sempre haverá&lt;br /&gt;desejos desejando&lt;br /&gt;e algo a melhorar.&lt;br /&gt;Sim, estamos juntos&lt;br /&gt;e nosso dia vai chegar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mediante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mediante o que faço&lt;br /&gt;meu ato se torna fato&lt;br /&gt;e, visto que arrisco,&lt;br /&gt;a cada passo&lt;br /&gt;beiro o abismo.&lt;br /&gt;Mediante o que penso&lt;br /&gt;meu senso se torna imenso&lt;br /&gt;e, visto que sou louco,&lt;br /&gt;meu pensamento todo&lt;br /&gt;é um pouco obsceno.&lt;br /&gt;Mediante o que calo&lt;br /&gt;minha dor se torna mágoa&lt;br /&gt;e, visto que sou burro,&lt;br /&gt;a cada emoção,&lt;br /&gt;fico mais mudo.&lt;br /&gt;Mediante a situação&lt;br /&gt;meu ser pode não ser&lt;br /&gt;e, visto que sou único,&lt;br /&gt;sou quando não&lt;br /&gt;minto que sou muitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Touro Calado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O touro descansa à sombra da mangueira.&lt;br /&gt;Rumina idéias.&lt;br /&gt;Já fecundou algumas vacas,&lt;br /&gt;o pasto é vasto&lt;br /&gt;e agora se sente entediado.&lt;br /&gt;Aquele garoto virá de novo molestá-lo&lt;br /&gt;mas ele não lhe fará caso.&lt;br /&gt;O vermelho tem vários matizes,&lt;br /&gt;o toreo é um jogo arriscado&lt;br /&gt;e o toreiro um grande safado.&lt;br /&gt;Prefere as vacas.&lt;br /&gt;Rumina o pasto.&lt;br /&gt;Já fecundou algumas idéias,&lt;br /&gt;o touro calado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ludismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou lento,&lt;br /&gt;a poesia&lt;br /&gt;é meu único&lt;br /&gt;tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mantenho&lt;br /&gt;a mente lúdica&lt;br /&gt;sempre dançando&lt;br /&gt;no ritmo da música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma ciência na essência&lt;br /&gt;que transcende a incumbência.&lt;br /&gt;Não a quantidade que cansa&lt;br /&gt;mas a qualidade que expande.&lt;br /&gt;Esta é a minha crença.&lt;br /&gt;Poesia de poucos adjetivos,&lt;br /&gt;de sujeitos objetivos&lt;br /&gt;e desejos substantivos.&lt;br /&gt;Este é o meu sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comunhão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma prece antiga toma forma&lt;br /&gt;no corpo de um pássaro raro&lt;br /&gt;que observa os séculos passados&lt;br /&gt;com impassível sobriedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que rezam todas as preces?&lt;br /&gt;O que cantam todos os pássaros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na arte de uma caligrafia mágica&lt;br /&gt;o mistério de um povo sábio&lt;br /&gt;é traduzido com a majestade&lt;br /&gt;de uma leve mão abençoada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aonde levam todas as artes?&lt;br /&gt;Aonde moram todos os povos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os corações que se unem&lt;br /&gt;no bater das asas dos pássaros&lt;br /&gt;sabem que as preces dos povos&lt;br /&gt;comungam com o mistério das artes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como unir todos os corações?&lt;br /&gt;Como sermos todos sábios?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pescador&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na espreita da manhã que se inicia&lt;br /&gt;o pescador, desde sempre, já é a pesca do dia;&lt;br /&gt;fisgado em sua alma pela gigantesca força marinha,&lt;br /&gt;seu reflexo nas ondas calmas das águas claras&lt;br /&gt;é o maior troféu de quem olha de cima e tudo vê&lt;br /&gt;com belos olhos de prisma criador.&lt;br /&gt;No seu barquinho, com seu anzol,&lt;br /&gt;cantando baixinho, o pescador, é o meu herói;&lt;br /&gt;as tardes passam, o sol corrói,&lt;br /&gt;pescando peixinhos, o pescador, sabe que dói&lt;br /&gt;mas come calado e pede perdão&lt;br /&gt;na sua oração, ao Todo Poderoso Salvador&lt;br /&gt;que não salvou ninguém, mas, tudo bem,&lt;br /&gt;pescou mais um coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frases feitas (ou quase)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dois sentidos na vida&lt;br /&gt;e um destes, eu te digo,&lt;br /&gt;não faz nenhum sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vencedor é aquele que,&lt;br /&gt;mesmo perdendo,&lt;br /&gt;não se sente derrotado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha agressividade é metafísica.&lt;br /&gt;Não gosto de agredir,&lt;br /&gt;prefiro transgredir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sonho acordado,&lt;br /&gt;sonhar dormindo&lt;br /&gt;é para quem dorme acordado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o amor não for o ar que respiramos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Museu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na solidão do museu&lt;br /&gt;as obras me olham&lt;br /&gt;e eu reflito&lt;br /&gt;o que em mim&lt;br /&gt;se revelou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quadro&lt;br /&gt;(inspirado em pintura de Salvador Dali)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu crânio rachado brilha&lt;br /&gt;e reflete a castidade de um céu&lt;br /&gt;densamente tingido&lt;br /&gt;por um longo azul angustiado.&lt;br /&gt;Às minhas costas, altas escarpas,&lt;br /&gt;oprimem o que foi em mim,&lt;br /&gt;em ti, em todos os sozinhos,&lt;br /&gt;sonhos de aventuras e carinhos.&lt;br /&gt;Minha face inclinada projeta,&lt;br /&gt;desolada, uma sombra abandonada&lt;br /&gt;que me protege e descolore&lt;br /&gt;a árvore maciça que sangra,&lt;br /&gt;copiosa, sobre o peito inchado&lt;br /&gt;com raízes que são como veias&lt;br /&gt;ramificadas infinitamente&lt;br /&gt;por mil sentidos cientes&lt;br /&gt;de não saberem quase nada.&lt;br /&gt;Sob o peito, inescrupulosamente,&lt;br /&gt;uma porta se abre&lt;br /&gt;sem uma tênue luz que a ilumine&lt;br /&gt;talvez porque ali não haja&lt;br /&gt;nada semelhante ao raciocínio,&lt;br /&gt;apenas o espectro de uma intuição&lt;br /&gt;que nunca fez muito sentido&lt;br /&gt;mas é por esta porta que eu respiro&lt;br /&gt;o ar denso e clandestino&lt;br /&gt;que permeia o espaço entre a moldura&lt;br /&gt;impregnado por uma latente loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pensador&lt;br /&gt;(inspirado na escultura de A. Rodin)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carregado de uma inefável força reflexiva&lt;br /&gt;que absorve todo pensamento que gravita&lt;br /&gt;alimentando seu espírito com a proteína&lt;br /&gt;que extrai da sabedoria implícita&lt;br /&gt;em cada molécula organizada que vibra&lt;br /&gt;na poderosa dança da vida viva&lt;br /&gt;o Pensador, não obstante, imóvel, sublima&lt;br /&gt;todo o movimento que a vontade excita&lt;br /&gt;condensando no vigor do bronze o estigma&lt;br /&gt;de potência que o pensamento anima&lt;br /&gt;capaz de fazer do homem uma obra-prima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blues&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dedilhar colorido das cordas de aço&lt;br /&gt;a teimosa alegria que, disfarçadamente,&lt;br /&gt;sorri, ensinando que o prazer é forte&lt;br /&gt;e resiste a um passado martirizante.&lt;br /&gt;No choro melodioso da gaita de boca&lt;br /&gt;a inexorável alegria que, acumulada,&lt;br /&gt;cruza os ares em ondas crescentes&lt;br /&gt;penetrando sutilmente na mente alertada.&lt;br /&gt;No cantar louco de uma voz rouca&lt;br /&gt;o sentimento mais profundo, qual for,&lt;br /&gt;ganha eco na garganta do mundo&lt;br /&gt;e reverbera nos corações plenos de amor.&lt;br /&gt;Na cadência que aprisiona o tempo no tempo,&lt;br /&gt;a marcha de uma gente que, escravizada,&lt;br /&gt;dançou sobre a terra apodrecida&lt;br /&gt;transformando lama em terra fertilizada.&lt;br /&gt;Nas letras que narram a saga sofrida,&lt;br /&gt;a simplicidade repleta de beleza&lt;br /&gt;de quem se alimenta da raiz fincada&lt;br /&gt;no solo distante da pátria-mãe natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Água Escondida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo do poço mais fundo do mundo&lt;br /&gt;onde impera perene o doloroso desgosto&lt;br /&gt;da estéril incomunicabilidade dos pilares&lt;br /&gt;virtuosos de muitas horas minhas dedicadas&lt;br /&gt;as agruras, umas da dança, outras da poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas lá, na mais serena harmonia,&lt;br /&gt;resplandece, lúcida e sublime, a música,&lt;br /&gt;fluindo misteriosa não se sabe de onde&lt;br /&gt;unindo dança e poesia num abraço melífluo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do alto deste imponderável desvario,&lt;br /&gt;com o olhar vago, perdido neste abismo,&lt;br /&gt;respiro fundo, condensando meu impulso&lt;br /&gt;pois só me resta esta alternativa suicida:&lt;br /&gt;atirar-me neste poço profundo, translúcido,&lt;br /&gt;para beber desta melodiosa água escondida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh, louco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A passos lassos&lt;br /&gt;percorro calçadas&lt;br /&gt;sob o olhar opaco&lt;br /&gt;das múltiplas janelas&lt;br /&gt;dos prédios altos,&lt;br /&gt;imponentes guardiães do asfalto.&lt;br /&gt;No centro de uma metrópole agonizante&lt;br /&gt;cruzo tantas vezes com tantos outros&lt;br /&gt;que entre ternos e gravatas&lt;br /&gt;me esqueço como outrora&lt;br /&gt;fui um outro&lt;br /&gt;bicho solto&lt;br /&gt;dançando entre poucos&lt;br /&gt;namorando borboletas&lt;br /&gt;Oh, louco!&lt;br /&gt;Ontem? Ou hoje?&lt;br /&gt;Quem sabe apenas amanhã&lt;br /&gt;quando, em dissonantes fraternais,&lt;br /&gt;harmonizar meus animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anistia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poesia ia, ia, ia, mas não foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alegria ria, ria, ria, mas chorou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não cria, chia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poesia é anistia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não foi, nunca voltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus, fico só,&lt;br /&gt;pó da terra, grão de areia,&lt;br /&gt;estrela já sem brilho,&lt;br /&gt;gota d’água que não pinga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus, não tenha dó,&lt;br /&gt;sou assim, menino,&lt;br /&gt;invento jogos impossíveis,&lt;br /&gt;faço coisas escondidas&lt;br /&gt;que você não adivinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus, mais uma vez,&lt;br /&gt;apenas faço um exercício&lt;br /&gt;pra passar o tempo amigo&lt;br /&gt;pois a noite só engatinha&lt;br /&gt;e eu me sinto assim... espinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não pense mal,&lt;br /&gt;melhor mesmo nem pensar,&lt;br /&gt;descansa, relaxa seus miolos&lt;br /&gt;e se for capaz... suspira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso, com mais prazer,&lt;br /&gt;e sinta como aos poucos,&lt;br /&gt;assim como quem não quer nada,&lt;br /&gt;vou penetrando em você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se assustou, hem?&lt;br /&gt;Não foi nada, no fundo&lt;br /&gt;não tão fundo da moral,&lt;br /&gt;eu só queria te conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oração Final&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço aos deuses que me olhem&lt;br /&gt;e orem ao meu ouvido&lt;br /&gt;os versos que me vestem&lt;br /&gt;quando, cúmplice desta hora&lt;br /&gt;mais tranqüila,&lt;br /&gt;dispo a máscara do bispo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço aos anjos que me guiem&lt;br /&gt;e iluminem o meu caminho&lt;br /&gt;(tão fadado ao desvio)&lt;br /&gt;quando, chegada a hora&lt;br /&gt;mais imprecisa,&lt;br /&gt;perco o passo em desatino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço aos homens que se amem&lt;br /&gt;e que cresçam como amigos&lt;br /&gt;pois, na hora mais antiga&lt;br /&gt;da triste despedida,&lt;br /&gt;este é o tesouro&lt;br /&gt;que se leva desta vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30609127-115196021098754572?l=moacastilhopoesias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacastilhopoesias.blogspot.com/feeds/115196021098754572/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30609127&amp;postID=115196021098754572' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30609127/posts/default/115196021098754572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30609127/posts/default/115196021098754572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacastilhopoesias.blogspot.com/2006/07/poesias-do-livro-danarilho.html' title='Poesias do livro &quot;Dançarilho&quot;'/><author><name>Moacyr</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_14VuCSCjRLs/SezwaYtVJ8I/AAAAAAAAABw/lAnoz41dG4A/S220/Digitalizar0003.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
